terça-feira, 28 de agosto de 2012

Por trás da biomáscara

Luísa chega em casa após um dia de caos. Senta-se em seu sofá novo, parcelado em 12x, e então liga a televisão. Horário eleitoral...

"Tentar evoluir ou deixar tudo como está? Quando se trata de Biocombustível, ainda cresce em minhas dúvidas uma enorme raiz.
Cheio de vantagens e desvantagens, o Biocombustível pode ser poderoso para a "renovação" do mundo, como também, pode acabar com o que atualmente resta dele num piscar de olhos, ou numa respiração longa.
Como uma possível solução para o aquecimento global por conta da possibilidade de fechamento do ciclo do carbono, abre-se uma grande esperança para cessar tal problema que aflige à todos. As pesquisas necessárias consumiriam menos fundos, e o desemprego provavelmente diminuiria. E o Brasil, rico em florestas, possui grandes e ótimas áreas para o cultivo das plantas necessárias para a produção deste. Entretanto, nem sempre as vantagens se sobressaem.
Em um momento no qual o aquecimento global e a forma na qual ele "engole" o mundo a cada dia é mundialmente conhecida, quando ocorre uma possibilidade de diminuição, os "prós" podem até ser fortes. Com geração de emprego - que está cada vez menor, reconheço -, os pontos também são altos. Mas, do que adianta terminar o aquecimento global e abrir vagas de emprego dessa maneira quando a fome será provavelmente triplicada ou até mais; quando a produção de cultivos para gerar o Biocombustível consumirá fertilizantes nitrogenados que justamente irão liberar gases estufa (contribuintes para o aquecimento global, então causando menos vantagens do que realmente parece), e estes mesmos fertilizantes poderão causar contaminações que irão gerar vários problemas respiratórios? De que adianta ter um emprego quando os preços dos alimentos irão consumir seu salário quase todo e você, cidadão brasileiro, não conseguirá pagar suas contas todas? Para morrer de fome ou alguma outra necessidade vital? Acredito que essa não seja a vontade da maioria dos habitantes do nosso país.
Muitas espécies aquáticas se extinguiriam pela proliferação de algas causadas pela "chuva seca" de fertilizantes que a queima da cana-de-açúcar causaria. Nossa água também acabaria numa velocidade imensamente maior, pois a mesma seria necessária em grande quantidade para a produção deste combustível de origem biológica não fóssil.
No mais, todos sabemos que o mundo não está em sua melhor época em questões naturais, nem nossa nação, definitivamente ao agora.
Por que gerar algo que "talvez ou possivelmente" seria menos nocivo ao mundo, quando na verdade, só aceleraria o fim dele? Creio que seja melhor deixar tudo como está do que gerar à nós mesmos, menos tempo de vida qualificada do que já nos está estimado.
Quem sabe, ao invés de produzir um meio de maior sustentabilidade ou "qualidade melhor de vida" que, na verdade, apenas nos levará mais rapidamente ao fim, adotemos então o costume de usar bicicletas como meio de transporte, por exemplo? Ou exercitar as pernas caminhando até seu destino diário, que geraria apenas suor às nossas roupas? Eu tô nessa.
Eu e meu governo vamos juntos nos empenhar para melhorar nosso país em relação ao mundo de uma maneira que valha à pena. Comigo, tudo se tornará mais leve, sensato."

*Disse o candidato à presidência que ordena que seu motorista o leve em sua limusine prateada até a panificadora da esquina para que compre seus pães frescos e seu cappuccino de todas as manhãs. E paga com notas de cem.

sábado, 31 de março de 2012

AZEdbUME


Nós que estamos acompanhando uma a outra há tanto. Os dias se passam, ontem eram 100, hoje mais que o dobro disso, até chegar o dia em que usaremos todos os números juntos, repetidamente. Eu sou uma guria normal com sonhos pessoais e duas paixões exclusivas. Você é uma guria especial pra mim, com sonhos únicos e provavelmente as duas paixões iguais as minhas.
Você chegou na minha vida num momento em que eu pude te dizer, que tire esse azedume do meu peito e com respeito trate minha dor. E você cuidou de mim, tratou de todas as dores passadas, até mesmo as futuras. Mas se um dia você se for, menina, eu só poderei dizer que se hoje sem você eu sofro tanto, tens, no meu pranto, a certeza de um amor. Mas se a razão tiver sido uma briga qualquer que nos levou ao fim, por parte minha ou tua, clausura que, um dia, sufocou minha alegria. Há de ser o que morreu.  Mas sei, pequena, isso não acontecerá. Não deixarei que isso aconteça. Não deixes também. E lembro-me, no início de tudo, lá atrás, em mais um dia 1, eu lhe disse pra que um dia se pensares em trazer-me seus olhares, faça porque te convém. E sem ter que te pedir por nada, tens me dado os olhares mais verdadeiros que pude receber. Que te convenham esses atos. Tudo num todo me convém. 

A força maior no meio do azedume, quebra tudo de ruim.

terça-feira, 27 de março de 2012

O martelo. O sangue. A dor e o Sabor.

Eu sou um cara. Um cara de merda.
Eu já fui melhor.





Faz tempo. Você ainda existia na minha vida como uma ingênua menina que vivia se alimentando de pizza e comidas práticas, e pesava sobre minhas costas esse nosso amor de concreto (concreto mais parecido com gelatina). Desculpe-me, minha nobre. Por todas essas confissões dolorosas como a força do martelo que usaste pra tentar me assustar causou a mim.
No começo foi tudo lindo e meloso (semelhante à calda dos sorvetes prontos), como todo relacionamento bem rotulado. Mas você foi a primeira a não me fazer pouco surpreso com a sensação que crescia dentro de mim de imediato (mas veio aos poucos) e a última que me deixou em cubos, isso talvez se. Você é forte o suficiente para ficar protegendo tanto o seu coração quanto o meu? Quem é o traidor? Quem é o assassino no meio da multidão?*
(...)Flashback

Mas eu sou um cara. Um cara que te ama. Um cara.


-Vem cá, minha dona. Me agarra pelo pescoço, se envolva nos meus braços. Eu aperto tua cintura e te mostro a sintonia da música. Se a senhorita quiser, eu mostro quem manda aqui. Mas me perdoe, dessa vez quem mandará não será você.
- Faz o que quiser comigo.
- Não ouse.

- Ouso. Faz.


(...)

Três anos se foram num fechar de olhos e tudo o que eu quero é que um ano passe num piscar. Relação que envolvia sexo de forma que qualquer ser no mundo há de querer, mas não a cumplicidade para dividir contas, principalmente a do supermercado envolvendo alimentos não-pré-cozidos. Tentamos.
Você deu a louca e soltou as feras pelo quintal da sua mente.  A segunda gaveta.
Você estava com tudo pronto para tentar me atacar. Me assustar.

Pegou-o com as duas mãos. O martelo. Pressionou-o sobre aquele troço.

(Todas as coisas que vivemos vindo em mente:
*Nós juntos num parque, comendo sanduíches do McDonalds
*Nós, tomando banho juntos
*Seu sorriso ao acordar
*Meu olhar profundo no teu
*Eu na cozinha preparando o almoço e você sentada com o banquinho de plástico e sua cerveja na mão direita, me olhando, ingênua)

Pegou-o com as duas mãos. O batedor de carne que guardávamos na segunda gaveta da cozinha, mas que só eu  utilizava porque você não sabia fritar um ovo e vivia quase sempre de FastFood.
Com toda a força, foi pra cima, pressionou, e sangrou.

Você começou a bater na carne, amaciando-a, (aquele bife que eu nem me lembrava de ter ido ao mercado comprar, já que nunca comprávamos coisas semelhantes se não fosse para eu preparar). Picou-a, colocou-a na panela e fez o almoço.
Fiquei atônito, te fitando. Que porra era aquela? Você aprendeu a cozinhar?
E eu achando que esse dia nunca chegaria. Quanta força. Me causou dor, porque você com toda essa animação de me mostrar seus novos dotes, rachou o mármore da nova pia da nossa cozinha.
Quanta dor, Ju. E orgulho. Tudo bem.

Antes eu era o consagrado imaginário Chef dessa cozinha. 
Mas agora eu sou um homem. Um homem que agora se alimenta de comida fresca e caseira. E que aprendera o que é um sentimento que vem aos poucos mas que chega: amor pela cozinha. E susto. (Brincadeirinha, Juju. Sua cozinheira insana).




*Parte traduzida da música Heavy In Your Arms-Florence + The Machine

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sinceridade

Minha fé se distancia três passos a mais por dia.
Que desculpem-me os senhores, mas a realidade se mostra aos meus olhos,
dia-a-dia.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Cinco jardins de um amor


Amor que vem
Amor que vai
Amor que fica
Amor que não
Se distrai

Amor que sorri
Amor que eu vi
Eu quis
Só pra mim
Feito aquele alecrim
Que era pra plantar 
No nosso jardim

Mas assim
No que depender de mim
Amorzim 
Serei seu todim
Pra sentir seu cheirim
Ser teu xuxuzim

Do início ao fim
Do início ao fim
Com ou sem dim-dim

domingo, 15 de janeiro de 2012

Nostalgia de ano pra ano: permanência.

Escrito em 15/10/11




Perigo.  Nunca o apreciei, não até te conhecer.
Pode chover lá fora que eu ouço o barulho da chuva igual a uma cachoeira, que acalma. Cê aqui do lado, dormindo, na mesma cama, dividindo teu cheiro que faz adormecer comigo; calmaria. Passo a mão no teu cabelo enquanto tu dorme e digo "Que delícia te ter."O trovão confirma na tempestade. Vai saber se tu ouviu, mas eu guardei comigo. Não era pra ouvir mesmo, foi um desabafo, isso, isso aí, um desabafo. Na tela da tevê eu ainda coloco no DVD aqueles episódios de The L Word em que Shane e Carmen se desejam explícita e ocultamente ao mesmo tempo, mas mesmo assim não tô nem aí pras duas, não consigo prestar atenção no que elas dizem discutindo na cozinha. Eu quero discutir contigo aqui, no quarto, mas de outro jeito. E se a gente conta o tempo, cê sabe, desse jeito ninguém vai embora. Não quero te deixar ir, de qualquer forma.
Deito sobre teu peito e sinto teu batimento. O teu ou o meu? Qual batia com mais intensidade, me diz? Eu não consegui decifrar. Que é só te olhar pro meu batimento aumentar. Te olho nos olhos e penso umas cinquenta coisas por segundo, sendo assim, três mil coisas num minuto. E todas relacionadas a você e ao bem estar que o agora me proporciona. Tua mão passeia pelas minhas costas quentes, apesar do frio lá fora. E eu fecho os olhos e desejo que isso nunca acabe, que nunca acabe.


(Silêncio leve rompido pelas janelas de vidro tremendo com o vendaval)


- Te amo. - Tu gagueja, como quem procura palavras semelhantes mas ao mesmo tempo inovadoras. 


Te abraço forte, junção de peles e barrigas e peitos e corpos juntos. Dou um pulo de susto; 20h30, ó o despertador com Do Sétimo Andar tocando e anunciando momento de despedida. A foto mais bonita que eu fiz, você olhando pra mim. Guardei muitas fotos. Guardo muitas. E cê faz papel principal nelas, saiba. Tu diz que agora a música não vai sair da tua cabeça, e fico pensando, não quero sair também.
Aperto o next do Windows Media Player e lá começa a tocar You're the direction I follow to get home.

Te deito comigo na cama, mais uma vez, e fico ouvindo cê cantar pra mim. Quero mesmo ser a direção que cê segue pra ir pra casa.


Tu diz que nunca sei cantar música alguma, nem em inglês nem em português nem em qualquer outra língua. Mas o que tu pedir pra cantar, eu canto. Mas se tu pedir pra eu cantarolar que te trombar é o que eu quero mais, eu canto. 

Te levo em casa, te agarro forte, sussurro que contigo meus dias e tardes e noites e meses tem valido a pena. Pena não, tem valido o perigo desse amor ser descoberto. Tem proporcionado amor.
Te solto com dificuldade, primeiro um dedo, depois a mão inteira. Tu se afasta indo pra casa. Pra tua casa.
Amanhã tu vens de novo, penso, amanhã tu vem pra mim. Mas quero agora. Com todos os agoras possíveis.
E volto pra casa, agarro meu travesseiro que envolve teu cheiro, e durmo, pro amanhã vir e pro perigo não se distanciar assim tão fácil de nós.
Amanhã eu fico triste de novo por ter que te deixar ir, mas a melhor parte de você, permanece comigo. Aqui, onde palpita forte quando te vê.




sobre o perigo e a delícia diários de viver um amor sapatão.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A gente é feito pra acabar

Ontem acordei decidida à dar uma volta pela praia.
Não como geralmente dou uma volta pela praia. A gente sempre sai pra passear por aí com intuito de ser feliz e gerar felicidade alheia.
Ontem acordei decidida à dar uma volta pela praia pra observar o céu e o movimento das nuvens. Ah, sim, observar-me também, e observar nosso amor na memória e nos dias que vem caminhando sob nossas vidas. Nossas, de nós duas, num par.
Andei, perdi o fôlego, pensei em tomar uma coca, acabei tomando água, o que tu sempre diz? "Não quero saber! Água é saudável! Você só bebe refrigerante!"
Água. Leve. Simples. Essencial. Nunca havia sido assim.
Pela praia haviam muitos casais em bancos situados embaixo de árvores. Fiquei pensando se alguns daqueles afetos não seriam fingimento em parte. Todo mundo tem medo de perder o que acha que teve um dia. Talvez alguns dos tantos que avistei fossem feitos pra acabar. Mas cada um acaba de um jeito.
Fim de ciclos, finais, fim. Entrei nessa área de raciocínio quando já estava chegando na frente daquele lugar onde você passou a ser minha. Lá. Sabe?
Andei sem freio e não sei pra quê. Não me senti feliz por olhar o céu e avistar tudo azul e quase nenhuma nuvem. Não era se quer possível enxergar formatos nelas. Macacos. Nem Caio nem Fernando.
Mas todo ser tem essa necessidade fútil de questionar a vida quando as questões estão vindo da boca de outras pessoas. Essa necessidade fútil de merda de complicar ainda mais tudo.
Cheguei à uma conclusão.
A gente é feito pra acabar.
Fui andar na praia pensando no nosso sequestro duplo entre nós mesmas.
Não havia solidão em mim. Não caiu se quer uma lágrima. Havia um casal na beira da água. Eles gesticulavam, o que apenas consegui enxergar, foram rios. Poluições.
Não me senti feliz por olhar o céu e avistar tudo azul e quase nenhuma nuvem. Tu nem se quer tava lá pra apreciar por mim. Apreciar-te apreciando a paisagem.
Caio e Fernando prefiro apreciar em casa e na tua cama. Cada um com um cheiro importante pra ti. Enjoativo pra mim... Aqueles cheiros de todos os dias.
A gente é feito pra acabar no mesmo verso de música, no mesmo capítulo ou na mesma página do livro. A gente é feito pra acabar debaixo dos lençóis ou em cima das cangas em noites de luar na praia a beira mar. A gente é feito pra acabar começando cada dia mais a sentir um sentimento novo.
A gente é feito. Feito de tanta coisa. Feito pra começar sem terminar. Aprendo sempre a ser feita por ti. Seja feita por mim.
A gente é feito pra acabar no sentimento descrito na última linha do texto. A gente acaba em par. Pra se amar. A gente é feito pra acabar, e isso nunca vai ter fim.

PS. Mais do que céu azul: céu escuro com pontos de explosão, estrelas.
Deixo o vento nos levar. Vai saber no que dá.



"Quantas são
As dores e alegrias de uma vida
Jogadas na explosão de tantas vidas
Vezes tudo que não cabe no querer..."



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

77

Duas mãos são uma. Uma minha, uma tua. Entrelaçadas, grudadas; juntas.
Tenho cultivado o costume de me embriagar. Teu perfume me deixa zonza, tonta, e vem, vem pra perto. A dor de cabeça some, as letras formando palavras na cabeça também. E só restamos você e eu. 
Ultimamente tem me restado você em todos os cantos. Todos os cantos da cidade, todos os cantos da minha cabeça, todos os cantos no meu abraço. Sobra mesmo muito espaço no abraço, e te deixo preencher essa coisa toda. 
Você ainda tem que precisar muito de mim, mais do que eu já preciso de ti.  Eu ainda tenho que te amar por muitos mais dias por vir, mais do que já amei em 77 dias. E todos à nossa volta dizem, é pouco, guria, é pouco, desencana, gruda não. E grito pra todos seguirem em frente, mas atrás de nós. Porque seguindo eu quero o nós, na frente eu quero tu.
Na frente de todas as minhas vontades, de todos os meus pensamentos, de todos os meus desejos. Na frente.
De todos os meus gritos, de todas as minhas palavras. De toda essa saudade. 
Teu cheiro me deixa calma, meus olhos nem abrem mais. Minha boca deixa escapar sorrisos sem querer, e eu ainda pensei em manter esse jeito frio e incalculável presente.
Você na minha frente, teu perfume em todas as minhas roupas, um travesseiro e um cobertor nos basta.
Com todo o meu amor, você me basta.
E te quero, sempre, todos os dias.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Old town.

Viagem. Sinto falta de viagens. Daquelas em que eu sentava no carro, bem do teu lado, e infiltrava meu rosto no vento. 150km/h, vai mais rápido, vai mais rápido, para não. Vento daqueles de quando a gente enfia o rosto e perde o fôlego. Vento daqueles que se transformam em nostalgia e viajam pro passado. 
E eu continuo sentindo falta e precisando de viagens. Sentindo falta de você, daquele teu carro preto, qual era a marca, mesmo? Ah sim, aquele Celta 2005, semi-pago, quatro anos parcelados haviam sido pagos, faltavam outros quatro, e desististe. Vendeste o carro, junto dele, o que eu ainda conseguia lembrar. 
Sinto falta de ti, sinto falta do carro, sinto falta daqueles tempos. Moletom em cima, moletom em baixo, tênis nos pés. Tantos prédios, prédios, prédios, aquele era nosso lar, aquilo era o que eu chamava de meu.
Tudo que é meu, pode ir. Tudo que é teu, pode vir. Tudo o que permanece a nós, pode despermanecer. E então desejei permanecer a ti assim, com essa palavra mesmo, com esse sempre, SEMPRE, assim, letras maiúsculas, caps lock ativada.
Então fostes; altos mares, águas, pessoas novas, nada de carros, nunca, não aos carros. Não a mim. Nada de prédios e vento, ah beibe, vento só se for das tempestades que tenho enfrentado. Não mais aquele vento de verão, enquanto desciamos a serra rumo á Santos. 
Por isso procuro nos lugares, o teu perfume. Sim, ainda lembro o nome, aquele aroma forte e inesquecível de kenzo-flower, maldito perfume, maldito, que nunca me solta. Ainda sinto teu cheiro em lugares desconhecidos. Em casa, metade do salário vai em incensos, não quero teu cheiro aqui. Aquele CD que ouvíamos juntas, ah sim, tá lá no armário daquele quartinho-de-bagunças-onde-jogamos-qualquer-coisa-minúscula-ou-superficial. The Corrs - Unplugged, capa empoeirada. You're forgiven, not forgotten. You're forgiven, not forgotten.
Viagem. Sinto falta de viagens. Daquelas em que eu sentava no carro, bem do teu lado, e infiltrava meu rosto no vento. 
Não existes mais aqui.
Agora há apenas um ventilador soprando vento artificial sobre minhas pálpebras.
Volta.

domingo, 23 de outubro de 2011

Verbo intransitivo.

-Te amo.
-Eu também.
-Se ama?
-Te amo.
-Ah.

(Silêncio)

-Que há?
-Nada. Pensando.
-Niquê?
-Que me amas.
- E acreditando?
-Sim.
-Ao menos, isso.
-Menos?
-Ou mais, também.
-Mais!
-Ao tudo, isso
-Sim. Tudo. Tudo é mais.
-Tudo é tu.
-É nós.
-Nós.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

62 - Porque mesmo com tanta erva daninha querendo empestar no nosso jardim, eu cuido, tu cuidas, nada de mal entra aqui. Ei de transformar esse jardim em floresta. Cresce, floresce, frutifica.

domingo, 2 de outubro de 2011

R/Rima



Olhos fechados pelo cansaço. Escuridão agradável. Uma cama e nenhum travesseiro. Um eu e nenhum nós. Começo de Junho, o frio se torna presente por conta própria. E nenhum cobertor, nenhum agasalho. Nem mesmo luvas.
Andei pensando, essa vida me derruba. E depois me levanta. E quando levanta, subo no meu salto e de lá não desço, - não tão rápido. Que pra me derrubar do salto, é só me empurrar como um prato de comida estragada. Fingir que tem tudo, quando enxergo que não tens nada. Já perdestes a mim.
Que pra ti o que vale é viajem, dinheiro no bolso e só. Esqueces do mundo, e tudo em mim fica como um nó. Nó que não se desfaz. Passei dias assim; fugaz, rápida, fugitiva.
Tudo aqui parece mais uma ida, sem fim, sem volta. Dez míseros dias, ah, isso transformou-se em revolta. Fácil passar oito meses sem ti. Dez dias perto, ah, oquêi, tudo certo. "Com certeza", penso, "é questão de costume". Oito meses de azedume. E agora chega, stop it, acabou.
Vou transformar minha vida em coisas que você nunca notou.
Mas por favor, volta, um dia, quem sabe.
A tua menina então quer poder dizer: ei, Senhora! Minha fé em ti nunca se esgotou.

Mais um ano se passa. Dois. Meus olhos se fecham, minha boca abre.
Abre gritando por socorro. Que se grito ou desacredito em ti, tanto faz.
Que se te espero ou corro, pra longe de tudo, não importa, permanecerei n'outro mundo. Nada mais há de vir.

Olhos fechados. Escuridão.
Primeiro de Outubro.
Tudo em vão.

Eduardda Carvalho

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Só mais um dia de frio no começo do mês de Setembro. Mais uma noite. Só mais um cigarro que foi queimado entre muitas tragadas por tempo recorde. Esplêndido é fumar um cigarro mentolado em menos de um minuto e meio. E tudo culpa da revolta. "Quanta repugnância" são as palavras que deixo escapar. E incontáveis vezes, até colar na mente. E será que cola? Será que gruda?. Tá um frio do cassete aqui nessa cidade. Nenhuma jaqueta de couro esquenta menos do que a minha. Bato os dentes de frio. No player do celular já acabado, desgastado e que infelizmente é de meu pertence, The Killers me matam dizendo smile like you mean it, smile like you mean it. E finjo que entendo. Mesmo que não entenda. Enfia um sorriso na cara e fica tudo bem, pequena, é assim que é. Tudo somente mais um adicional. Quem sabe, para mais incógnitas pessoais nas quais me proponho. Mais um motivo adicional pra fumar outro cigarro. Mais um motivo pra querer sorrir por entender; querer e esperar poderDreams aren't what they used to be, some things sat by so carelessly. 

sábado, 3 de setembro de 2011

Apoteose do grito.

Os órgãos desse meu corpo completamente amortecidos após quase um maço sumindo. E todos desejam pular para fora. Gritar. Pedir socorro. Mas são apenas os órgãos abrigados em meu corpo. Não faço parte do grito. Sirvo de abrigo pra tanta coisa. Me sirvo de abrigo.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Minucioso fim

Nem que fosse por um segundo. Mas queria quase que muito, que sentir não fosse assim, tão vital para si mesmo. Ah, queria. Mas também, a coisa é sentir nada. Apenas não sentir.
Ele, já acabado, já desconhecido (Já não era possível reconhecer a si mesmo), já cansado de tanta coisa  -de tanta merda, para ser bem claro - se senta no sofá - tão velho que já não era possível recordar quando foi comprado- acende um cigarro, aproxima o copo de uísque para perto de si. E automaticamente, solta palavras, como se fosse uma só, como um pequeno e imperceptível sopro:
–  Que arranques sentimentos mórbidos, cálidos de mim. Arranque começando pelas veias, e termine por órgãos, talvez me mate, talvez me mantenha vivo. Aliás, quem és tu, que me ouves?
Olha ao redor. A casa continua vazia, intacta, não perfumada. Traga seu cigarro aceso, toma seu uísque já quente, que desce queimando pela garganta. E tantas coisas tem descido queimando ultimamente. Coisas tão distintas de um simples uísque. E então, começa a pensar, pensar, pensar. Pensa mais do que gente grande que é. Raramente coisas como esta acontecem, e oh, amém, agradecido estou, pensa, com aquele demasiado fútil sorriso de canto. Fútil não, tudo bem. Sincero demais. Aprofundado demais. Sorrisos sinceros e aprofundados são assim: perigosos. Ele havia acordado assim mesmo, perigoso demais. E que todos se afastem, pois um homem com um copo de uísque e um maço de cigarro pode ser perigoso quando misturado com a fúria do desprezo causado pela sociedade fodidamente preconceituosa.
E então conclui:
- Ah, cassete, tu que ouves... Tu és meu reflexo no espelho. Vais cumprir com tua promessa? Vais arrancar sentimentos do qual fui contaminado andando perto de pessoas sem valores? AGORA, que arranques de mim.
Pois então, vai até a cozinha, abre a gaveta. Repara em sua coleção de facas, e começa com sua promessa. Seu próprio reflexo, incrédulo, de frente para si, começa a obra.
A faca começa a entrar por entre o peito, arrancando os sentimentos mais profundos primeiro. Afinal, é como dizem: se varres a casa, tire primeiro o grosso da poeira. O minucioso fica para depois.


Era mais uma catástrofe provocada pela sociedade e pela depressão. Pela atual merda de sociedade e seus valores também de merda.
E era mais um fim.

domingo, 31 de julho de 2011

Jardim, Jardins. Eu, elas, talvez nós. E faltou arrancar o singular oculto disso tudo.

          "Ei, guria, linda linda linda. E que feches a torneira ao lavares a louça, bem aí. Muita água está a ser desperdiçada." ela dizia. E bem que me recordo, dizia quase como que em um canto. Daqueles que até não existem, pois este seria único, e só existiria por calculados quatorze meses. Daqueles que soltam junto ás palavras presentes, o doce aroma de morangos. Frescos morangos vivos vermelhos plantados em jardins bem cuidados e regados e amados e seja o que mais for desejado. E como era extraordinário observar. Observar o quão preocupada Luísa era. Preocupada com o mundo. Comigo, consigo, conosco. E te acalma, sentimento. Tu mesmo aqui no peito. Sabemos que nada permanece intacto. Deixo subentendido, logo então - sabemos que tudo muda. Jardim enche, empesta de erva daninha se não cuidares bem - e deixe-me assim, querendo, tentando, quase conseguindo ser sincera: Não cuidei. Luísa e eu não cuidamos do nosso jardim. Não-cui-da-mos. Ah, que pena pena pena. Uma pena, ou talvez até duas. Ah, grande pena. Inesquecível, irremediável pena. E saudade, o que naturalmente se tornou. Mas assim que é, enfim. Pena e pena e pena. E fim. Foi-se, fomos. Eu de cá, tu de lá. Acabou-se, acabamos. Eu de cá, tu de lá. 
         E passou tempo, viu, e passou. Uns dois ou três anos. Setecentos e quarenta e seis dias - tenho contado. E quantas Anas, Carolinas, Joanas, Laíses, Ingridis, Claras ou Elisas vieram? Caralho, quantas, não? E como foram significantes, logo suponho! Não. E como foram insignificantes (duas a menos, com a letra C iniciando ambos os nomes) logo concluo! Ah, Clara e Carolina. Doces, frutificadas. E foi bem assim: Com Clara foi intenso, ah se foi. Porém, durou dois meses e umas muitas horas a mais. Sessenta e quatro dias. E não dobro a língua ao dizer: foi único, mesmo. 
         Tardes e tardes rentes uma à outra. Olho no olho, boca na boca, corpo no corpo. De fundo, o barulho de incontáveis carros que pela avenida passavam, soltando fumaça e tudo mais de ruim - poluindo tudo. Também misturado às tardes, Rogério Extraordinário Flausino, vocalista da Jota Quest (Banda esta que marcou nossos sessenta e quatro dias juntas) cantava e cantava, posso brincar de descobrir desenho em nuvens posso contar meu pesadelos e até minhas coisas fúteis posso tirar a tua roupa posso fazer o que eu quiser posso perder o juízo, mas com você eu to tranquilo tranquilo. Estive tranquila. Até Clara e seu demasiado maravilhoso dom de saber ensinar a esquecer transformar-se em apenas uma-merda-de-dom-de-apenas-esquecer. E isso foi tudo por uma morena estranha (cujo nome não me recordo) aparecer. E foram alianças recém-compradas jogadas fora, e um possível pedido de compromisso sério carregado ao lixo junto à elas. Logo após, surtei. Confesso, esqueci do nosso jardim. Fazer o que, lá só haviam rosas e rosas, nunca gostei delas, e aquele monte de grama mal aparada? Nananinanão. Não deu, realmente, não deu. Nunca soube o que fazer, mesmo. E nenhum ser me ajudou a fazer mais do que lembrar de fechar uma torneira. Afinal será que amar é mesmo tudo. E não dobro a língua ao dizer: Transformei os sessenta e quatro e Clara em nada. Era meu modo de driblar emoções agudas quando perdidas.
         Dos setecentos e quarenta e seis, chego aqui ao segundo capítulo. Carolina. Foram cinco meses a mais do que com Clara. Duzentos e dezoito dias no total. Até que durou. Foi um daqueles - considero eu - nada típicos relacionamentos conturbados. Foi bom. Carolina era generosa até demais. Contudo, era quase forte, quase crescida, mas nada madura. Ela me encontrou eu tava por aí num estado emocional tão ruim. Me sentindo muito mal tanananan, perdido, sozinho errando de bar em bar*. Foi e era pra ser. Foi minha e era pra ser minha. Carol possuía aquele Q (de qualidade) especial. Tinha o real dom de ensinar a esquecer. Me ensinou a. Agradeci. Me envolvi. E até que cheguei a me apaixonar. Éramos indescutíveis fãs da noite. Muitas destas, em diversas ocasiões, me encontrava ao seu lado, repetindo ao pé de seus branquelos ouvidos: Hey, hey...Sweet Caroline, good times never seemed so good**. E era realmente doce, doce, doce. Tanto que como um vício, me tornei fraca ao ponto de ser definida como viciada nela.
        Mas também, por vezes, era daquele jeito nada bom. Quantas e quantas desavenças, quanto ciúme, quantos erros. Eu fantasiando de cá que a guria havia de amadurecer. Ela fantasiando de lá que minha atenção era pouca - 24 horas por dia ainda não eram o suficiente. Nosso jardim era bem como devia. Minhas flores prediletas: lírios e mais lírios. Girassóis e mais girassóis. E nele haviam apenas animais minúsculos e com uma certa liberdade gigantesca; pássaros, borboletas. E foi aí que fodemos com tudo: já não havia mais liberdade entre nós. Só eu cuidava da porra do jardim. Era mato demais para um só ser tomar conta e manter nos trinques. Empestou também, erva daninha daninha daninha. Me doeu. Nossos duzentos e dezoito dias e noites foram úteis, yes. Únicos também, e com todos os Us bons que fossem possíveis serem doados. Ás vezes acontece de me vir a lembrança de que até chego a dobrar a língua ao dizer que não esqueci, que não deixei passar, que fui fraca pela segunda vez, pois devia ter provocado justamente o contrário, que havia de ter o tornado inútil, não único, puf, nem um pouco único. Que deveria ter esquecido cada migalha (ou seja talvez melhor dizer gota) de algo que foi tão duzentas e dezoito vezes complicado. Então pude realmente dizer, ah, que pena pena pena. Que dor, que tudo, que nada.
        E neste local do texto, se encontra o terceiro e último capítulo deste monte de dádiva conturbada. Carolina me ensinou tanto tanto a esquecer, que me encontrei um tempo esquecida de tudo, principalmente ou com certeza, de mim. Quase que me fiz perguntas como Que dia é hoje ou Que mês é este, e até Onde está a chave do carro. Me sobraram quatrocentos e sessenta e quatro dias assim; na merda, só. Esquecida. E o que é triplamente pior: por opção. Onde estaria Luísa para arrancar esta porra de inadiável saudade das veias e órgão conhecido como coração presente aqui no peito ou, quem sabe, talvez, para arrancar a erva daninha do jardim que nunca possuiu um nós, pois foi sempre um Eu, solitário e singular.
       Me sento no sofá logo após de lavar a pilha de louça antes acumulada, acendo um cigarro, torno a escrever. No rádio, Los Hermanos e aquela Adeus você eu hoje vou pro lado de lá eu to levando tudo de mim tocando. E não por esquecer, talvez inesperadamente e por desinteresse, a torneira da cozinha permanece entreaberta, deixando escapar em cada gota, quantidade por quantidade de água que poderia ser usada por aí para regar muitos e muitos jardins.


Texto inspirado em contos presentes no livro Morangos Mofados, de Caio Fernando Abreu, e em algumas decepções.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Planos essenciais interruptos e inconclusos.

Obrigação de acreditar em não acreditar. Acreditar em nada. Nada que também seja uma obrigação. Obrigações ensandecidas, como por exemplo, viver ouvindo; repetindo; aderindo versos de (direi ensandecidamente) palavras-de-um-futuro-bom-apenas-pela-justa-causa-chamada-lembrança-tua. Obrigação de ser justa. Justa em aderir obrigações. Obrigação de ser recíproca. Contigo, comigo, conosco. Obrigação de ser piegas apaixonada. Doce, derretida, açucarada. Obrigação de ser fria e calculista. Com coisas necessárias e também aquelas coisas minúsculas-inúteis. Quase nunca é necessário desprevenir-se. Obrigação de ser sincera. Conceito que vem de casa. Obrigação de entender. Primeiramente a mim - o que já é uma puta de uma tarefa. Obrigação de fazer felicidade fluir. Gestos, sorrisos de canto, sorrisos completos. Obrigação de ser realista. Obrigação de NÃO agir como a maioria. Para fazer um ser feliz com um nada, muito fácil! APRENDE: Obrigação de dizer coisas fúteis, pois, ao que parece, é assim que comovemos cabeças vazias. Come on, olhe ao redor e perceba: quando é real; sentimental, sempre vem um "tô nem aí". Então não ligue mesmo, não ligo mesmo. Obrigação de não ligar. Para o que dizem, muito menos para algumas letras formando palavras daquilo (bobagens-desastrosas-fodidas-e-complicadas) que digo. Para o que sentem, para o que sinto. Para o teu telefone celular. Obrigação de voar, dentro da mente, vontade de tanta gente. Obrigação de ser, estar, ir, lembrar, esquecer,  acostumar, doar, levantar, adoçar, acreditar. Obrigação de acordar, pegar papel e caneta e anotar, tudo, todas elas. Todas aquelas velhas obrigações.  

domingo, 5 de junho de 2011

Um que pôde, por uma resposta ou um gesto, tornar-se único novamente.

Ela estava sentada no banco de trás do carro, ao lado esquerdo, bem atrás de mim, que conduzia o veículo. Não quisera sentar ao lado meu, pois me evitava desde o dia anterior. É isso que acontece quando é dito o que não querem ouvir. Sempre soube, porém nunca o fizera. E perceptivelmente a sociedade se chocava -e se choca- quando alguém o faz. Eu o fizera. E ela não entendera, apenas fechara sua bela cara para os meus olhares.
Noite passada tivemos uma aprofundada conversa sobre não sei quem...(não me lembro, pois os goles de vodca já haviam me afetado um pouco) que acabou nos levando a falar sobre "nós". Contudo, sei-o bem, lembro-me bem da mais importante parte, quando disse, observando sua postura ainda séria ao segurar uma lata de cerveja já quente:
"Nosso relacionamento já tornara-se frio, amargo, não único e apenas um." Olhei o chão. "Apenas mais um." Tornei a observa-la. "Porém continuo a amando, porém quero tornar tudo como ao início, porém quero nos tornar únicas para nós mesmas, assim como o anteriormente ocorrido. " E tudo o que ela, tão séria e também descontraída soube me responder, foi um belo de um "Veremos".
Quer dizer,"mermão", que tu te esforças, diz ali, na frente, corpo á corpo, cara á cara, cerveja a vodca, que queres tornar-te única, quente, fervente novamente para sua amada, e a moça, não mais tão bela por uns segundos, lhe responde, seca; irreconhecível; morna; muda e ao mesmo tempo falante demais para tanto vazio; isso...
Era o fim. Era o perceptível fim. Logo ali, foi de perceber: dia seguinte estaria dirigindo o pequeno Fusca VW 66 (sob ótimos cuidados, herdado de minha avó), com suas coisas no porta-malas, e ela ali, olhando-me do banco de trás, novamente morna; irreconhecível, como se a errada fosse eu.
Não é comovente o quanto dá de perceber que querem (ou queres tu, em especial); desejam ouvir o que lhes agrada. Seria mais fácil ela ter me levado a sério, embora vodca e cerveja não sejam semelhantes a isso (Porém, nosso amor iria muito além de semelhança qualquer). Seria muito melhor temos tido a chance de nos salvarmos, e salvarmos o amor que hoje em dia encontra-se tão fraco, em cacos, sob clichês arrogantes nesse mundo. Seria muito mais fácil temos nos tornado únicas, ao invés de apenas mais um.
Seria, não há de ser.
Não tentaria salvar, nunca mais, nada que começasse a ser movido á clichês. Já que hoje em dia, torna-se um "eu clichê" até aquele que ousa pronunciar que clichê não se tornará. Todos o dizem. Eu, não sei (Para não dizer simplesmente não, e tornar-me um adicionado clichê).
Só quero salvar o mundo disso.
Só quero que seja novamente.
Mas não o farei. Não mais.
Seria, não há de ser.
Um amor que poderia tornar-se único. Um não é único, nunca será. Quantos números um existem nesse imenso mundo?
Um que poderia tornar-se único novamente.
E pela janela do meu fusca, olho as casas, os segundos e os sentimentos passando, e nós, juntas no mesmo ambiente, talvez pela última vez, talvez pelo último nós. Talvez pelo último momento um, único, porque eu o tornaria assim.

segunda-feira, 14 de março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

É tão bom ser mais nós.


Me olho no espelho. É diferente, chega a ser estranho. Não me reconheço - porém, é como se sentisse que estou ali. Meus olhos já não são mais azuis, escureceram para um tom de castanho-mel. Meu cabelo, agora liso, tem cor em sintonia. Não tenho mais cara de pequena, porém, sou uma adulta com o mesmo sorriso de tal (essa é uma das vantagens de não envelhecer nunca).
Paro por um minuto.
Penso...
Penso...
Concluo.
De repente, olho ao meu redor. Descubro-me. Percebo que estou cara a cara comigo, que já não sou mais eu mesma.
E então, incontrolávelmente, me escapa um sorriso. Estou tão feliz por ver-me, porém, sinto que não sou eu ali.
Uma presença tão doce e leve - jamais a esqueceria algum dia em minha vida.
Ela tem olhos azuis como eu um dia tive, cabelos cacheados. Reparo em sua mancha de nascença na mão esquerda. Cara de pequena-crescida. Provavelmente teria minha idade. Exatamente igual a quem fui um dia.
Seria eu, então, a base de sua essência?
É como se eu soubesse...
Da mesma forma que sabemos que, se nos jogarmos em frente á um caminhão em movimento provavelmente acontecerá uma tragédia, eu, naquele momento, sabia; sentia; percebia mais do que qualquer outra coisa (ja estava totalmente arrepiada por um segundo) que sem ela não teria sentido algum.
Minha essência então, pertence a ela, e a dela a mim.
Irmãs gêmeas? Melhores amigas? Mãe e filha?
Uma mistura de tudo.
E com um enorme toque de ser mais nós.
Como é bom...
Ser.
Sou.
Sou+Nós.




Á minha querida mãe, que hoje completa mais um ano de vida.