Uma ou duas loucuras
Funduras
De mim
Nosso fim
Será assim
Pois
Eu que sempre fui
De sins
Procuro minha página final
Algo me fascina
Me alucina
E tu não serás pra mim
Nada mais do que foi
Um ou dois pois
Poréns, vai e vém
Não me convém
Ser esse alguém
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sexta-feira, 3 de julho de 2015
sábado, 2 de março de 2013
Spoiling the surprise
Teu jeito peculiar de ser me puxava cada dia pra mais perto de ser alguém pra ti e a querer então, me juntar e formar um par contigo.
Eu te dei seu lugar aqui dentro. Eu te mostrei o que falar sobre mim e sobre nós. Eu desatei seus nós que eu mesma enroscava. Eu te dei silêncio; um silêncio de breu, silêncio de angústia, silêncio de singular e me juntei nesse silêncio e o fiz plural. Te curava os males que eu mesma lhe causava. Morde e assopra.
Ensinei-lhe a reconhecer os sons, e do silêncio retirávamos: o vento, a ofegância de nossas próprias respirações. Dessas respirações lhe causei gemidos, inconstâncias e permiti que me fizesses constante no teu futuro.
No presente não, de presente eu não podia me doar. Nem se quer minha, fui. Não fui do mundo, não fui da razão, da consciência. Meus anseios foram seus, e os devaneios já não sabiam mais seguir um caminho diferente também. Minha mente poderia estar em trânsito, mas o corpo estava livre pra que você fizesse sua caminhada por cada beco, rua, imensidão de mim.
Eu te adiei a cada dia, pois se me precipitasse, mais cedo seria sua ida. Eu sempre soube que tipo de pessoa serias, que partirias por medo, que o teu apavoro lhe levaria pro que você mesma nunca quis. Eu lhe adiei para ter tempo de construir planos pra te envolver em mim, porém, quase sempre me esquecia de amarrar os laços e ao invés, te aprendia por inteira. E restávamos nós, tão semelhantes mas incoerentes. Aprendia teu calor, tua temperatura, teu discurso sobre como você preferia teus gatos em sinfonia interminável na madrugada do que ao breu irreconhecível e identificável dia e noite.
Nunca quis adiar tua presença. No entanto, tua constância foi criando galhos e raízes nas minhas folhas incolores.
Adiei tua presença porque quando se adia, o fim não vem de manhã.
Te dei permissão para que me descobrisse, e o que fizeste foi encobrir minha presença.
Hoje, de poucas coisas que noto ao meu redor, percebo: você sempre soube seu lugar. Num ponto identificável - pois fim nunca houve, sequer começo -, quem aprendeu tanto sobre ti e supostamente nós fui eu, mas esqueci tudo sobre mim mesma ao longo do caminho.
Sempre gostei de coisas mais simples: por que deve ter começo? Por que, então, há de ter fim?
No presente não, de presente eu não podia me doar. Nem se quer minha, fui. Não fui do mundo, não fui da razão, da consciência. Meus anseios foram seus, e os devaneios já não sabiam mais seguir um caminho diferente também. Minha mente poderia estar em trânsito, mas o corpo estava livre pra que você fizesse sua caminhada por cada beco, rua, imensidão de mim.
Eu te adiei a cada dia, pois se me precipitasse, mais cedo seria sua ida. Eu sempre soube que tipo de pessoa serias, que partirias por medo, que o teu apavoro lhe levaria pro que você mesma nunca quis. Eu lhe adiei para ter tempo de construir planos pra te envolver em mim, porém, quase sempre me esquecia de amarrar os laços e ao invés, te aprendia por inteira. E restávamos nós, tão semelhantes mas incoerentes. Aprendia teu calor, tua temperatura, teu discurso sobre como você preferia teus gatos em sinfonia interminável na madrugada do que ao breu irreconhecível e identificável dia e noite.
Nunca quis adiar tua presença. No entanto, tua constância foi criando galhos e raízes nas minhas folhas incolores.
Adiei tua presença porque quando se adia, o fim não vem de manhã.
Te dei permissão para que me descobrisse, e o que fizeste foi encobrir minha presença.
Hoje, de poucas coisas que noto ao meu redor, percebo: você sempre soube seu lugar. Num ponto identificável - pois fim nunca houve, sequer começo -, quem aprendeu tanto sobre ti e supostamente nós fui eu, mas esqueci tudo sobre mim mesma ao longo do caminho.
Sempre gostei de coisas mais simples: por que deve ter começo? Por que, então, há de ter fim?
A simplicidade por fim nos fugiu com seu sumiço.
Já não sei mais responder à meus próprios questionamentos, mas minha mente pede, suplica pelo definitivo. Darei partida nessa ida minha, que começa agora, e não há de cessar.
Não precisa mais voltar, pois não era necessário nem que tivesses ido.
Você sempre soube muito bem como permanecer, assim como aprendeu à desaparecer por entre as expectativas.
Já não sei mais responder à meus próprios questionamentos, mas minha mente pede, suplica pelo definitivo. Darei partida nessa ida minha, que começa agora, e não há de cessar.
Não precisa mais voltar, pois não era necessário nem que tivesses ido.
Você sempre soube muito bem como permanecer, assim como aprendeu à desaparecer por entre as expectativas.
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terça-feira, 27 de novembro de 2012
Chuva és, Sol sou
Não conseguir mais te olhar é algo forte e arrebatador demais à ser sentido e dito. Não consigo é te olhar e não compreender porque você balança tudo à minha volta. Caio do balanço num abismo opaco, sem brilho algum. Minha cabeça dói. Meus olhos encharcam meu rosto, eu nado pra fora do meu próprio mar azul. E por um momento (de tantos), o que precisava para sanar essa dor devastadora e nada ingênua se assimilaria a sanar minha saudade. A saudade é livre e ataca os mais presos. Declaro meu aprisionamento completo. Andas comigo lado à lado nesse nó. Nos choques de mente, nos anseios, no gosto de minha própria saliva quase inexistente. Há quanto não vejo um copo d'água para refrescar minhas necessidades, é como se eu estivesse na secura de um deserto sem oásis.
Eu não sei se quero as chaves para a liberdade. Talvez permanecer nesse nó de corda bamba, sumir por completo e te deixar de fora, pro mundo e seus outros milhões de olhares coloridos, me faça ser um pouco mais certa de que ao permanecer presa neste abismo eu não te puxe para ele também.
O abismo é ao redor, o labirinto. E mesmo que nele, sempre à reconhecerei, de longe e sem os óculos arranhados; de perto com olhos fechados. Na mente encontro a mais bela das cores, produzidas por teu sorriso. É como mergulhar na abundância.
O abismo é ao redor, o labirinto. E mesmo que nele, sempre à reconhecerei, de longe e sem os óculos arranhados; de perto com olhos fechados. Na mente encontro a mais bela das cores, produzidas por teu sorriso. É como mergulhar na abundância.
Carrego na mente, a cada segundo e por cada lugar, uma das coisas mais valiosas que percorri o coração, o olhar e o desespero. Você.
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quarta-feira, 24 de outubro de 2012
me nota na nota
Me fui na intenção de gritar, explodir, partir-me em incontáveis montes de palavras que desejam ser lidas. Necessitam ser lidas. Sugadas, absorvidas, acolhidas.
E o que possuo?
-Silêncio.
Páginas em branco. As ruas paradas. E um papel no meio fio, beirando o boeiro.
Eu que me fui, em escrita, em meio ao esgoto.
Quanto desgosto, companheiro!
Deste mar tenho sido marinheiro.
E meu dinheiro foi-se, ao chão, em forma de papel escrito no qual não tiveres compaixão em ler.
E o que possuo?
-Silêncio.
Páginas em branco. As ruas paradas. E um papel no meio fio, beirando o boeiro.
Eu que me fui, em escrita, em meio ao esgoto.
Quanto desgosto, companheiro!
Deste mar tenho sido marinheiro.
E meu dinheiro foi-se, ao chão, em forma de papel escrito no qual não tiveres compaixão em ler.
sábado, 31 de março de 2012
AZEdbUME
Você chegou na minha vida num momento em que eu pude te dizer, que tire esse azedume do meu peito e com respeito trate minha dor. E você cuidou de mim, tratou de todas as dores passadas, até mesmo as futuras. Mas se um dia você se for, menina, eu só poderei dizer que se hoje sem você eu sofro tanto, tens, no meu pranto, a certeza de um amor. Mas se a razão tiver sido uma briga qualquer que nos levou ao fim, por parte minha ou tua, clausura que, um dia, sufocou minha alegria. Há de ser o que morreu. Mas sei, pequena, isso não acontecerá. Não deixarei que isso aconteça. Não deixes também. E lembro-me, no início de tudo, lá atrás, em mais um dia 1, eu lhe disse pra que um dia se pensares em trazer-me seus olhares, faça porque te convém. E sem ter que te pedir por nada, tens me dado os olhares mais verdadeiros que pude receber. Que te convenham esses atos. Tudo num todo me convém.
A força maior no meio do azedume, quebra tudo de ruim.
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Sinceridade
Minha fé se distancia três passos a mais por dia.
Que desculpem-me os senhores, mas a realidade se mostra aos meus olhos,
dia-a-dia.
Que desculpem-me os senhores, mas a realidade se mostra aos meus olhos,
dia-a-dia.
domingo, 2 de outubro de 2011
R/Rima
Olhos fechados pelo cansaço. Escuridão agradável. Uma cama e nenhum travesseiro. Um eu e nenhum nós. Começo de Junho, o frio se torna presente por conta própria. E nenhum cobertor, nenhum agasalho. Nem mesmo luvas.
Andei pensando, essa vida me derruba. E depois me levanta. E quando levanta, subo no meu salto e de lá não desço, - não tão rápido. Que pra me derrubar do salto, é só me empurrar como um prato de comida estragada. Fingir que tem tudo, quando enxergo que não tens nada. Já perdestes a mim.
Que pra ti o que vale é viajem, dinheiro no bolso e só. Esqueces do mundo, e tudo em mim fica como um nó. Nó que não se desfaz. Passei dias assim; fugaz, rápida, fugitiva.
Tudo aqui parece mais uma ida, sem fim, sem volta. Dez míseros dias, ah, isso transformou-se em revolta. Fácil passar oito meses sem ti. Dez dias perto, ah, oquêi, tudo certo. "Com certeza", penso, "é questão de costume". Oito meses de azedume. E agora chega, stop it, acabou.
Vou transformar minha vida em coisas que você nunca notou.
Mas por favor, volta, um dia, quem sabe.
A tua menina então quer poder dizer: ei, Senhora! Minha fé em ti nunca se esgotou.
Mais um ano se passa. Dois. Meus olhos se fecham, minha boca abre.
Abre gritando por socorro. Que se grito ou desacredito em ti, tanto faz.
Que se te espero ou corro, pra longe de tudo, não importa, permanecerei n'outro mundo. Nada mais há de vir.
Olhos fechados. Escuridão.
Primeiro de Outubro.
Tudo em vão.
Eduardda Carvalho
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Só mais um dia de frio no começo do mês de Setembro. Mais uma noite. Só mais um cigarro que foi queimado entre muitas tragadas por tempo recorde. Esplêndido é fumar um cigarro mentolado em menos de um minuto e meio. E tudo culpa da revolta. "Quanta repugnância" são as palavras que deixo escapar. E incontáveis vezes, até colar na mente. E será que cola? Será que gruda?. Tá um frio do cassete aqui nessa cidade. Nenhuma jaqueta de couro esquenta menos do que a minha. Bato os dentes de frio. No player do celular já acabado, desgastado e que infelizmente é de meu pertence, The Killers me matam dizendo smile like you mean it, smile like you mean it. E finjo que entendo. Mesmo que não entenda. Enfia um sorriso na cara e fica tudo bem, pequena, é assim que é. Tudo somente mais um adicional. Quem sabe, para mais incógnitas pessoais nas quais me proponho. Mais um motivo adicional pra fumar outro cigarro. Mais um motivo pra querer sorrir por entender; querer e esperar poder. Dreams aren't what they used to be, some things sat by so carelessly.
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domingo, 31 de julho de 2011
Jardim, Jardins. Eu, elas, talvez nós. E faltou arrancar o singular oculto disso tudo.
"Ei, guria, linda linda linda. E que feches a torneira ao lavares a louça, bem aí. Muita água está a ser desperdiçada." ela dizia. E bem que me recordo, dizia quase como que em um canto. Daqueles que até não existem, pois este seria único, e só existiria por calculados quatorze meses. Daqueles que soltam junto ás palavras presentes, o doce aroma de morangos. Frescos morangos vivos vermelhos plantados em jardins bem cuidados e regados e amados e seja o que mais for desejado. E como era extraordinário observar. Observar o quão preocupada Luísa era. Preocupada com o mundo. Comigo, consigo, conosco. E te acalma, sentimento. Tu mesmo aqui no peito. Sabemos que nada permanece intacto. Deixo subentendido, logo então - sabemos que tudo muda. Jardim enche, empesta de erva daninha se não cuidares bem - e deixe-me assim, querendo, tentando, quase conseguindo ser sincera: Não cuidei. Luísa e eu não cuidamos do nosso jardim. Não-cui-da-mos. Ah, que pena pena pena. Uma pena, ou talvez até duas. Ah, grande pena. Inesquecível, irremediável pena. E saudade, o que naturalmente se tornou. Mas assim que é, enfim. Pena e pena e pena. E fim. Foi-se, fomos. Eu de cá, tu de lá. Acabou-se, acabamos. Eu de cá, tu de lá.
E passou tempo, viu, e passou. Uns dois ou três anos. Setecentos e quarenta e seis dias - tenho contado. E quantas Anas, Carolinas, Joanas, Laíses, Ingridis, Claras ou Elisas vieram? Caralho, quantas, não? E como foram significantes, logo suponho! Não. E como foram insignificantes (duas a menos, com a letra C iniciando ambos os nomes) logo concluo! Ah, Clara e Carolina. Doces, frutificadas. E foi bem assim: Com Clara foi intenso, ah se foi. Porém, durou dois meses e umas muitas horas a mais. Sessenta e quatro dias. E não dobro a língua ao dizer: foi único, mesmo.
Tardes e tardes rentes uma à outra. Olho no olho, boca na boca, corpo no corpo. De fundo, o barulho de incontáveis carros que pela avenida passavam, soltando fumaça e tudo mais de ruim - poluindo tudo. Também misturado às tardes, Rogério Extraordinário Flausino, vocalista da Jota Quest (Banda esta que marcou nossos sessenta e quatro dias juntas) cantava e cantava, posso brincar de descobrir desenho em nuvens posso contar meu pesadelos e até minhas coisas fúteis posso tirar a tua roupa posso fazer o que eu quiser posso perder o juízo, mas com você eu to tranquilo tranquilo. Estive tranquila. Até Clara e seu demasiado maravilhoso dom de saber ensinar a esquecer transformar-se em apenas uma-merda-de-dom-de-apenas-esquecer. E isso foi tudo por uma morena estranha (cujo nome não me recordo) aparecer. E foram alianças recém-compradas jogadas fora, e um possível pedido de compromisso sério carregado ao lixo junto à elas. Logo após, surtei. Confesso, esqueci do nosso jardim. Fazer o que, lá só haviam rosas e rosas, nunca gostei delas, e aquele monte de grama mal aparada? Nananinanão. Não deu, realmente, não deu. Nunca soube o que fazer, mesmo. E nenhum ser me ajudou a fazer mais do que lembrar de fechar uma torneira. Afinal será que amar é mesmo tudo. E não dobro a língua ao dizer: Transformei os sessenta e quatro e Clara em nada. Era meu modo de driblar emoções agudas quando perdidas.
Dos setecentos e quarenta e seis, chego aqui ao segundo capítulo. Carolina. Foram cinco meses a mais do que com Clara. Duzentos e dezoito dias no total. Até que durou. Foi um daqueles - considero eu - nada típicos relacionamentos conturbados. Foi bom. Carolina era generosa até demais. Contudo, era quase forte, quase crescida, mas nada madura. Ela me encontrou eu tava por aí num estado emocional tão ruim. Me sentindo muito mal tanananan, perdido, sozinho errando de bar em bar*. Foi e era pra ser. Foi minha e era pra ser minha. Carol possuía aquele Q (de qualidade) especial. Tinha o real dom de ensinar a esquecer. Me ensinou a. Agradeci. Me envolvi. E até que cheguei a me apaixonar. Éramos indescutíveis fãs da noite. Muitas destas, em diversas ocasiões, me encontrava ao seu lado, repetindo ao pé de seus branquelos ouvidos: Hey, hey...Sweet Caroline, good times never seemed so good**. E era realmente doce, doce, doce. Tanto que como um vício, me tornei fraca ao ponto de ser definida como viciada nela.
Mas também, por vezes, era daquele jeito nada bom. Quantas e quantas desavenças, quanto ciúme, quantos erros. Eu fantasiando de cá que a guria havia de amadurecer. Ela fantasiando de lá que minha atenção era pouca - 24 horas por dia ainda não eram o suficiente. Nosso jardim era bem como devia. Minhas flores prediletas: lírios e mais lírios. Girassóis e mais girassóis. E nele haviam apenas animais minúsculos e com uma certa liberdade gigantesca; pássaros, borboletas. E foi aí que fodemos com tudo: já não havia mais liberdade entre nós. Só eu cuidava da porra do jardim. Era mato demais para um só ser tomar conta e manter nos trinques. Empestou também, erva daninha daninha daninha. Me doeu. Nossos duzentos e dezoito dias e noites foram úteis, yes. Únicos também, e com todos os Us bons que fossem possíveis serem doados. Ás vezes acontece de me vir a lembrança de que até chego a dobrar a língua ao dizer que não esqueci, que não deixei passar, que fui fraca pela segunda vez, pois devia ter provocado justamente o contrário, que havia de ter o tornado inútil, não único, puf, nem um pouco único. Que deveria ter esquecido cada migalha (ou seja talvez melhor dizer gota) de algo que foi tão duzentas e dezoito vezes complicado. Então pude realmente dizer, ah, que pena pena pena. Que dor, que tudo, que nada.
E neste local do texto, se encontra o terceiro e último capítulo deste monte de dádiva conturbada. Carolina me ensinou tanto tanto a esquecer, que me encontrei um tempo esquecida de tudo, principalmente ou com certeza, de mim. Quase que me fiz perguntas como Que dia é hoje ou Que mês é este, e até Onde está a chave do carro. Me sobraram quatrocentos e sessenta e quatro dias assim; na merda, só. Esquecida. E o que é triplamente pior: por opção. Onde estaria Luísa para arrancar esta porra de inadiável saudade das veias e órgão conhecido como coração presente aqui no peito ou, quem sabe, talvez, para arrancar a erva daninha do jardim que nunca possuiu um nós, pois foi sempre um Eu, solitário e singular.
Me sento no sofá logo após de lavar a pilha de louça antes acumulada, acendo um cigarro, torno a escrever. No rádio, Los Hermanos e aquela Adeus você eu hoje vou pro lado de lá eu to levando tudo de mim tocando. E não por esquecer, talvez inesperadamente e por desinteresse, a torneira da cozinha permanece entreaberta, deixando escapar em cada gota, quantidade por quantidade de água que poderia ser usada por aí para regar muitos e muitos jardins.
Texto inspirado em contos presentes no livro Morangos Mofados, de Caio Fernando Abreu, e em algumas decepções.
E passou tempo, viu, e passou. Uns dois ou três anos. Setecentos e quarenta e seis dias - tenho contado. E quantas Anas, Carolinas, Joanas, Laíses, Ingridis, Claras ou Elisas vieram? Caralho, quantas, não? E como foram significantes, logo suponho! Não. E como foram insignificantes (duas a menos, com a letra C iniciando ambos os nomes) logo concluo! Ah, Clara e Carolina. Doces, frutificadas. E foi bem assim: Com Clara foi intenso, ah se foi. Porém, durou dois meses e umas muitas horas a mais. Sessenta e quatro dias. E não dobro a língua ao dizer: foi único, mesmo.
Tardes e tardes rentes uma à outra. Olho no olho, boca na boca, corpo no corpo. De fundo, o barulho de incontáveis carros que pela avenida passavam, soltando fumaça e tudo mais de ruim - poluindo tudo. Também misturado às tardes, Rogério Extraordinário Flausino, vocalista da Jota Quest (Banda esta que marcou nossos sessenta e quatro dias juntas) cantava e cantava, posso brincar de descobrir desenho em nuvens posso contar meu pesadelos e até minhas coisas fúteis posso tirar a tua roupa posso fazer o que eu quiser posso perder o juízo, mas com você eu to tranquilo tranquilo. Estive tranquila. Até Clara e seu demasiado maravilhoso dom de saber ensinar a esquecer transformar-se em apenas uma-merda-de-dom-de-apenas-esquecer. E isso foi tudo por uma morena estranha (cujo nome não me recordo) aparecer. E foram alianças recém-compradas jogadas fora, e um possível pedido de compromisso sério carregado ao lixo junto à elas. Logo após, surtei. Confesso, esqueci do nosso jardim. Fazer o que, lá só haviam rosas e rosas, nunca gostei delas, e aquele monte de grama mal aparada? Nananinanão. Não deu, realmente, não deu. Nunca soube o que fazer, mesmo. E nenhum ser me ajudou a fazer mais do que lembrar de fechar uma torneira. Afinal será que amar é mesmo tudo. E não dobro a língua ao dizer: Transformei os sessenta e quatro e Clara em nada. Era meu modo de driblar emoções agudas quando perdidas.
Dos setecentos e quarenta e seis, chego aqui ao segundo capítulo. Carolina. Foram cinco meses a mais do que com Clara. Duzentos e dezoito dias no total. Até que durou. Foi um daqueles - considero eu - nada típicos relacionamentos conturbados. Foi bom. Carolina era generosa até demais. Contudo, era quase forte, quase crescida, mas nada madura. Ela me encontrou eu tava por aí num estado emocional tão ruim. Me sentindo muito mal tanananan, perdido, sozinho errando de bar em bar*. Foi e era pra ser. Foi minha e era pra ser minha. Carol possuía aquele Q (de qualidade) especial. Tinha o real dom de ensinar a esquecer. Me ensinou a. Agradeci. Me envolvi. E até que cheguei a me apaixonar. Éramos indescutíveis fãs da noite. Muitas destas, em diversas ocasiões, me encontrava ao seu lado, repetindo ao pé de seus branquelos ouvidos: Hey, hey...Sweet Caroline, good times never seemed so good**. E era realmente doce, doce, doce. Tanto que como um vício, me tornei fraca ao ponto de ser definida como viciada nela.
Mas também, por vezes, era daquele jeito nada bom. Quantas e quantas desavenças, quanto ciúme, quantos erros. Eu fantasiando de cá que a guria havia de amadurecer. Ela fantasiando de lá que minha atenção era pouca - 24 horas por dia ainda não eram o suficiente. Nosso jardim era bem como devia. Minhas flores prediletas: lírios e mais lírios. Girassóis e mais girassóis. E nele haviam apenas animais minúsculos e com uma certa liberdade gigantesca; pássaros, borboletas. E foi aí que fodemos com tudo: já não havia mais liberdade entre nós. Só eu cuidava da porra do jardim. Era mato demais para um só ser tomar conta e manter nos trinques. Empestou também, erva daninha daninha daninha. Me doeu. Nossos duzentos e dezoito dias e noites foram úteis, yes. Únicos também, e com todos os Us bons que fossem possíveis serem doados. Ás vezes acontece de me vir a lembrança de que até chego a dobrar a língua ao dizer que não esqueci, que não deixei passar, que fui fraca pela segunda vez, pois devia ter provocado justamente o contrário, que havia de ter o tornado inútil, não único, puf, nem um pouco único. Que deveria ter esquecido cada migalha (ou seja talvez melhor dizer gota) de algo que foi tão duzentas e dezoito vezes complicado. Então pude realmente dizer, ah, que pena pena pena. Que dor, que tudo, que nada.
E neste local do texto, se encontra o terceiro e último capítulo deste monte de dádiva conturbada. Carolina me ensinou tanto tanto a esquecer, que me encontrei um tempo esquecida de tudo, principalmente ou com certeza, de mim. Quase que me fiz perguntas como Que dia é hoje ou Que mês é este, e até Onde está a chave do carro. Me sobraram quatrocentos e sessenta e quatro dias assim; na merda, só. Esquecida. E o que é triplamente pior: por opção. Onde estaria Luísa para arrancar esta porra de inadiável saudade das veias e órgão conhecido como coração presente aqui no peito ou, quem sabe, talvez, para arrancar a erva daninha do jardim que nunca possuiu um nós, pois foi sempre um Eu, solitário e singular.
Me sento no sofá logo após de lavar a pilha de louça antes acumulada, acendo um cigarro, torno a escrever. No rádio, Los Hermanos e aquela Adeus você eu hoje vou pro lado de lá eu to levando tudo de mim tocando. E não por esquecer, talvez inesperadamente e por desinteresse, a torneira da cozinha permanece entreaberta, deixando escapar em cada gota, quantidade por quantidade de água que poderia ser usada por aí para regar muitos e muitos jardins.
Texto inspirado em contos presentes no livro Morangos Mofados, de Caio Fernando Abreu, e em algumas decepções.
domingo, 5 de junho de 2011
Um que pôde, por uma resposta ou um gesto, tornar-se único novamente.
Ela estava sentada no banco de trás do carro, ao lado esquerdo, bem atrás de mim, que conduzia o veículo. Não quisera sentar ao lado meu, pois me evitava desde o dia anterior. É isso que acontece quando é dito o que não querem ouvir. Sempre soube, porém nunca o fizera. E perceptivelmente a sociedade se chocava -e se choca- quando alguém o faz. Eu o fizera. E ela não entendera, apenas fechara sua bela cara para os meus olhares.
Noite passada tivemos uma aprofundada conversa sobre não sei quem...(não me lembro, pois os goles de vodca já haviam me afetado um pouco) que acabou nos levando a falar sobre "nós". Contudo, sei-o bem, lembro-me bem da mais importante parte, quando disse, observando sua postura ainda séria ao segurar uma lata de cerveja já quente:
"Nosso relacionamento já tornara-se frio, amargo, não único e apenas um." Olhei o chão. "Apenas mais um." Tornei a observa-la. "Porém continuo a amando, porém quero tornar tudo como ao início, porém quero nos tornar únicas para nós mesmas, assim como o anteriormente ocorrido. " E tudo o que ela, tão séria e também descontraída soube me responder, foi um belo de um "Veremos".
Quer dizer,"mermão", que tu te esforças, diz ali, na frente, corpo á corpo, cara á cara, cerveja a vodca, que queres tornar-te única, quente, fervente novamente para sua amada, e a moça, não mais tão bela por uns segundos, lhe responde, seca; irreconhecível; morna; muda e ao mesmo tempo falante demais para tanto vazio; isso...
Era o fim. Era o perceptível fim. Logo ali, foi de perceber: dia seguinte estaria dirigindo o pequeno Fusca VW 66 (sob ótimos cuidados, herdado de minha avó), com suas coisas no porta-malas, e ela ali, olhando-me do banco de trás, novamente morna; irreconhecível, como se a errada fosse eu.
Não é comovente o quanto dá de perceber que querem (ou queres tu, em especial); desejam ouvir o que lhes agrada. Seria mais fácil ela ter me levado a sério, embora vodca e cerveja não sejam semelhantes a isso (Porém, nosso amor iria muito além de semelhança qualquer). Seria muito melhor temos tido a chance de nos salvarmos, e salvarmos o amor que hoje em dia encontra-se tão fraco, em cacos, sob clichês arrogantes nesse mundo. Seria muito mais fácil temos nos tornado únicas, ao invés de apenas mais um.
Seria, não há de ser.
Não tentaria salvar, nunca mais, nada que começasse a ser movido á clichês. Já que hoje em dia, torna-se um "eu clichê" até aquele que ousa pronunciar que clichê não se tornará. Todos o dizem. Eu, não sei (Para não dizer simplesmente não, e tornar-me um adicionado clichê).
Só quero salvar o mundo disso.
Só quero que seja novamente.
Mas não o farei. Não mais.
Seria, não há de ser.
Um amor que poderia tornar-se único. Um não é único, nunca será. Quantos números um existem nesse imenso mundo?
Um que poderia tornar-se único novamente.
E pela janela do meu fusca, olho as casas, os segundos e os sentimentos passando, e nós, juntas no mesmo ambiente, talvez pela última vez, talvez pelo último nós. Talvez pelo último momento um, único, porque eu o tornaria assim.
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