quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Adicional.

Só mais um dia de frio no começo do mês de Setembro. Mais uma noite. Só mais um cigarro que foi queimado entre muitas tragadas por tempo recorde. Esplêndido é fumar um cigarro mentolado em menos de um minuto e meio. E tudo culpa da revolta. "Quanta repugnância" são as palavras que deixo escapar. E incontáveis vezes, até colar na mente. E será que cola? Será que gruda?. Tá um frio do cassete aqui nessa cidade. Nenhuma jaqueta de couro esquenta menos do que a minha. Bato os dentes de frio. No player do celular já acabado, desgastado e que infelizmente é de meu pertence, The Killers me matam dizendo smile like you mean it, smile like you mean it. E finjo que entendo. Mesmo que não entenda. Enfia um sorriso na cara e fica tudo bem, pequena, é assim que é. Tudo somente mais um adicional. Quem sabe, para mais incógnitas pessoais nas quais me proponho. Mais um motivo adicional pra fumar outro cigarro. Mais um motivo pra querer sorrir por entender; querer e esperar poderDreams aren't what they used to be, some things sat by so carelessly. 


Eduardda Carvalho

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Dezessete/Vinte e nove - (In)tenso e (a)normal.

Olhos tampados. Escuridão. Breu. Uma rua, um bicho e eu.
Volta tudo.


(Silêncio.)


Um cheiro que acalma. É suave. É bom. Viciante. Seria de meu pertence.


(Silêncio.)


Você tampa meus olhos e me pede uma canção. E eu lá, sentada na calçada, procurando raciocinar d'onde já não mais conseguia. Perto de você o raciocínio se perdia, e a única coisa na qual jamais me desvencilharia seria de mim mesma. Comigo te sinto. 
Bicicletas velhas passam e fazem ruídos; carros com faróis altos passam por nós como trocentos exércitos nos observando. Me observando e, claro, se preparando para me atacar caso um segundo fosse jogado fora,  pois cada segundo contigo parecia raro. Era como se fosse o último e o primeiro: sempre intenso, sempre mágico. E não importava o que fizéssemos, o importante era fazê-lo contigo.
Sentar numa calçada esburacada, num puta frio, mas contigo ali. Sorrindo -pra mim-. E que sorriso, menina. E que sorriso. Sorriso esse que, se dele saísse um pedido, -qualquer pedido-, jamais me recusar a cumpri-lo ia.
Me pedes pra cantar. Eu canto e tu que me conquista. E penso "tá errado isso, tá errado. Ou tá certo demais, certo demais. Ou tá. Está."
Tampas meus olhos devido a minha medonha vergonha de fazê-lo. Sempre fui um mero desastre (E descobriria dias logo a frente que contigo todos os desastres do mundo valeriam a pena). 
Tua mão direita em meus olhos, e nós duas no meio da rua deserta, brincando de esconde-esconde, ou sei lá no que se encaixava. Brincando de fingir que vergonha não existia. Não naquele momento (sendo a vergonha, naquele momento, algo que explodia em mim como jamais havia de). Mas também tampei teus olhos, claro. Não podia deixar que me olhasse enquanto cantava. Era piegas demais pra mim. E o pior é que de coisas piegas eu sempre gostei. Enfim.
Eu te procuro até não poder mais... ... ... (pausa) ... Na internet, bares... Nos jornais... ... .. (grande pausa)... ... Trombar você é o que eu quero mais, menina. 
Dali pra frente, sempre me lembraria de beijos, blues e poesia. Sempre me lembraria de você.
E punha em minha cabeça, como se fosse um pedaço de mim a ser resgatado: tu vai ser minha. Sabe, aquilo lá de... possessão? Pois bem. Nunca quis tanto possuir algo. 
Um cheiro que acalma. Tão suave. Tão bom. Viciante. Seria de meu pertence.
Só pra poder dizer, a cada dia: trombar você continua sendo o que eu quero mais, menina.
Deixa eu te fazer uns dramas. Deixa eu te sorrir. Deixa eu.
Deixa. 
Deixa eu te fazer feliz.




Eduardda Carvalho

sábado, 3 de setembro de 2011

Apoteose do grito.

Os órgãos desse meu corpo completamente amortecidos após quase um maço sumindo. E todos desejam pular para fora. Gritar. Pedir socorro. Mas são apenas os órgãos abrigados em meu corpo. Não faço parte do grito. Sirvo de abrigo pra tanta coisa. Me sirvo de abrigo.

Eduardda Carvalho