domingo, 23 de outubro de 2011

Verbo intransitivo.

-Te amo.
-Eu também.
-Se ama?
-Te amo.
-Ah.

(Silêncio)

-Que há?
-Nada. Pensando.
-Niquê?
-Que me amas.
- E acreditando?
-Sim.
-Ao menos, isso.
-Menos?
-Ou mais, também.
-Mais!
-Ao tudo, isso
-Sim. Tudo. Tudo é mais.
-Tudo é tu.
-É nós.
-Nós.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

62 - Porque mesmo com tanta erva daninha querendo empestar no nosso jardim, eu cuido, tu cuidas, nada de mal entra aqui. Ei de transformar esse jardim em floresta. Cresce, floresce, frutifica.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Armas químicas e poemas.

Passavam das dez da manhã. Três copos de água gelada haviam sido consumidos, e só. Nem um pão, nada. Vazio. Trinta graus lá fora, dez aqui dentro. Onde tenho permanecido, sem ti, tem ficado frio.
Nosso amor, pequena, é assim: armas químicas e poemas. Tudo junto. Doce colisão.
Acreditei, desde sempre, que não, ninguém morre por amor, não morro por amor. Mesmo sendo ele, grande. Very big. Eu escolho o amor nas diversas formas que ele tem, ou ele me escolhe. A nossa forma é a que contém colisão. Perigo, calmaria, tranquilidade, de verdade. É doce, mesmo assim. Essa forma me escolhe. E eu te escolho. Podem vir tiros de trocentas armas, mas crio trocentos poemas pra acabar com tudo de ruim.
Equilibre-se. Proteja-se, pequena. As armas químicas são fortes. Tudo bem.
Mas os poemas resolvem os nossos problemas.
Dez graus lá fora, trinta aqui dentro. Onde tenho permanecido, contigo, tem ficado quente. Tudo junto. Você, eu, nossos lábios. Doce colisão.
Onde estavam as armas químicas? O que diziam os poemas?




Eduardda Carvalho

segunda-feira, 10 de outubro de 2011





Carrego comigo os cinquenta e quatro dias-mais-bonitos. E eu ainda pude acreditar um dia que jamais presenciaria isso, mas tá dando certo. Tá tudo nos trilhos. To com um sentimento merecido no peito. E o tenho dividido com alguém. Frase de posse: meu alguém.
Quero ser teu remédio, teu sorriso, tua lembrança. Lembrança luminosa. Coisas obscuras não entram mais - quando não são permitidas. Tornei tudo assim, não me abalo mais. Não se abale também, meu alguém.
Quero ser teu remédio pra o que tu quiser que eu seja. Quero ser teu sorriso pras lembranças luminosas que tu escolher que eu faça parte. Quero que tudo ande nos trilhos e que dentro do trem estejamos apenas nós e o condutor, invisível. Dentro do único vagão desse trem; nós. Você, eu.
Cabem dentro de mim infinitos dias-mais-bonitos, e os quero, os desejo, os chamo: venham! Esse trem não precisa de passagem, apenas de continuação. Uma mesa entre nós, apenas isso nos separa. Te pago um suco de abacaxi e te deixo permanecer. Teu cheiro na minha roupa; e no ar. Me enlouquece, e acalma. Te observo. Fala, meu alguém, fala. Diz que curo tuas dores, que causo teus sorrisos, e os ilumino. Ou não diga. Apenas, permaneça. Transformo essa luminosidade em sol. Ele nunca se vai, apenas, passeia. Passeio ao redor de ti. Te observo. Fala, meu alguém, diz.
Pode vir o que vier. Tu é forte e eu também. Junto ao teu segundo copo de suco, vem uma única rosa vermelha. E tu dança comigo, meu alguém? diz que sim, vem. Vem que nesse trem a música fala The room's hush, hush, and now's our moment. Take it in feel it all and hold it. Eyes on you, eyes on me. We're doing this right. Os trilhos nunca terminam. Que nesse trem não tem saída, não se a gente não quiser que tenha. Mesmo eu e você estando no mesmo trem, a saudade vem. Mesmo eu e você estando em sintonia, a saudade nos agonia. A falta vem, a tua falta. A nossa falta. Toma teu suco, cheira tua rosa. Me inclui na tua lembrança luminosa, me enxerga no sol pela janela. 
To te esperando, meu alguém. Vem. Chega de surpresa, me abraça forte, me beija na nuca. Teu cheiro na minha roupa; e no ar. Me enlouquece, e acalma. Nos observo de longe, dentro da mente. O sol brilha lá em cima, consegues ver? E o teu sorriso brilha junto a mim. Minha luminosa lembrança é a tua. Vem, te acolho em mim, ponho na saudade um fim, e então, penso, eu nunca senti nada assim. Vem, minha menina. É tudo sobre nós. 


Eduardda Carvalho

domingo, 2 de outubro de 2011

R/Rima



Olhos fechados pelo cansaço. Escuridão agradável. Uma cama e nenhum travesseiro. Um eu e nenhum nós. Começo de Junho, o frio se torna presente por conta própria. E nenhum cobertor, nenhum agasalho. Nem mesmo luvas.
Andei pensando, essa vida me derruba. E depois me levanta. E quando levanta, subo no meu salto e de lá não desço, - não tão rápido. Que pra me derrubar do salto, é só me empurrar como um prato de comida estragada. Fingir que tem tudo, quando enxergo que não tens nada. Já perdestes a mim.
Que pra ti o que vale é viajem, dinheiro no bolso e só. Esqueces do mundo, e tudo em mim fica como um nó. Nó que não se desfaz. Passei dias assim; fugaz, rápida, fugitiva.
Tudo aqui parece mais uma ida, sem fim, sem volta. Dez míseros dias, ah, isso transformou-se em revolta. Fácil passar oito meses sem ti. Dez dias perto, ah, oquêi, tudo certo. "Com certeza", penso, "é questão de costume". Oito meses de azedume. E agora chega, stop it, acabou.
Vou transformar minha vida em coisas que você nunca notou.
Mas por favor, volta, um dia, quem sabe.
A tua menina então quer poder dizer: ei, Senhora! Minha fé em ti nunca se esgotou.

Mais um ano se passa. Dois. Meus olhos se fecham, minha boca abre.
Abre gritando por socorro. Que se grito ou desacredito em ti, tanto faz.
Que se te espero ou corro, pra longe de tudo, não importa, permanecerei n'outro mundo. Nada mais há de vir.

Olhos fechados. Escuridão.
Primeiro de Outubro.
Tudo em vão.

Eduardda Carvalho