segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sinceridade

Minha fé se distancia três passos a mais por dia.
Que desculpem-me os senhores, mas a realidade se mostra aos meus olhos,
dia-a-dia.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Cinco jardins de um amor


Amor que vem
Amor que vai
Amor que fica
Amor que não
Se distrai

Amor que sorri
Amor que eu vi
Eu quis
Só pra mim
Feito aquele alecrim
Que era pra plantar 
No nosso jardim

Mas assim
No que depender de mim
Amorzim 
Serei seu todim
Pra sentir seu cheirim
Ser teu xuxuzim

Do início ao fim
Do início ao fim
Com ou sem dim-dim.


Eduardda Carvalho


domingo, 15 de janeiro de 2012

Nostalgia de ano pra ano: permanência.

Escrito em 15/10/11




Perigo.  Nunca o apreciei. Não até te conhecer.
Perigo. Agora o aprecio. Porque te conheço, e te pertenço. Pode chover lá fora que eu ouço o barulho da chuva igual a uma cachoeira, que acalma. Cê aqui do lado, dormindo, na mesma cama, dividindo teu cheiro que faz adormecer comigo; calmaria. Passo a mão no teu cabelo enquanto tu dorme e digo "Que delícia te ter." Vai saber se tu ouviu, mas eu guardei comigo. Não era pra ouvir, mesmo, foi um desabafo, isso, isso aí, um desabafo. Na tela da tevê eu ainda coloco no DVD aqueles episódios de The L Word em que Shane e Carmen se desejam explícita e ocultamente ao mesmo tempo, mas mesmo assim não tô nem aí pras duas, não consigo prestar atenção no que elas dizem discutindo na cozinha. Eu quero discutir contigo aqui, no quarto, mas de outro jeito. Minha boca discutindo com a tua quanto tempo elas conseguem ficar sem se desgrudar. E se a gente conta o tempo, cê sabe, desse jeito ninguém vai embora. Não quero te deixar ir, de qualquer forma.
Deito sobre teu peito e sinto teu batimento. O teu ou o meu? Qual batia com mais intensidade, me diz? Eu não consegui decifrar. Que é só te olhar pro meu batimento aumentar. Te olho nos olhos e penso umas cinquenta coisas por segundo, sendo assim, três mil coisas num minuto. E todas relacionadas a você e ao bem estar que o agora me proporciona. Tua mão passeia pelas minhas costas quentes, apesar do frio lá fora. E eu fecho os olhos e desejo que isso nunca acabe, que nunca acabe.


(Silêncio leve)


- Te amo. - Tu gagueja, como quem procura palavras semelhantes mas ao mesmo tempo inovadoras. Mas continuo e digo mais: - Ei, pequena. não diz nada, só ouve. Je't aime, com esse meu francês falhado, I love you, com esse meu Inglês imperfeito. Te amo com meu português impecável.


Te abraço forte, junção de peles e barrigas e peitos e corpos juntos. Dou um pulo de susto; 20h30, ó o despertador com Do Sétimo Andar tocando e anunciando momento de despedida. A foto mais bonita que eu fiz, você olhando pra mim. Guardei muitas fotos. Guardo muitas. E cê faz papel principal nelas, saiba. Tu diz que agora a música não vai sair da tua cabeça, e fico pensando, não quero sair também.
Aperto o next do Windows Media Player e lá começa a tocar You're the direction I follow to get home.

Te deito comigo na cama, mais uma vez, e fico ouvindo cê cantar pra mim. Quero mesmo ser a direção que cê segue pra ir pra casa, mesmo que eu ainda ache que a casa que tu deverias ir é pra minha. Pra nossa.


Tu diz que nunca sei cantar música alguma, nem em inglês nem em português nem em qualquer outra língua. Mas o que tu pedir pra cantar, eu canto. Mas se tu pedir pra eu cantarolar que te trombar é o que eu quero mais, eu canto. Se tu pedir pra eu cantar em hebraico, eu aprendo e canto, só pra ver teu sorriso doce desabrochar no canto da boca.

Te levo em casa, te agarro forte, sussurro que contigo meus dias e tardes e noites e meses tem valido á pena. Pena não, tem valido o perigo. Tem proporcionado amor.
Te solto com dificuldade, primeiro um dedo, depois a mão inteira. Tu se afasta indo pra casa. Pra tua casa.
Amanhã tu vens de novo, penso, amanhã tu vem pra mim. Mas quero agora. Com todos os agoras possíveis.
E volto pra casa, agarro meu travesseiro que envolve teu cheiro, e durmo, pro amanhã vir e pro perigo não se distanciar assim tão fácil de nós.
Amanhã eu fico triste de novo por ter que te deixar ir, mas a melhor parte de você, permanece comigo. Aqui, onde palpita forte quando te vê.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Vassoura, rodo, espanador. E muito desgosto.

Escrito em 07/01/12, num momento de exaustão.


Pré dizer: Silêncio. E sem por favor. Isso é uma ordem.
Não quero vozes, não quero movimento.
Não quero me sentir só por fora.
Quero me sentir por dentro.



3h40 da madrugada. E ela se sente assim, vazia. Os pés geralmente invisíveis de tão brancos; os sentem quase negros, obscuros, imundos. O cabelo, fio a fio, seboso. Os olhos quiçá verdes ou azuis, agora amarelados, por mofo.
Tudo cheira mal à sua volta, e pensa de repente; "tô afundada. Ferrada. Fodida."
Prossegue. Tudo bem. "É isso aí, tô no fundo. Mas o fundo de todo poço contém água pra purificar. Disso quase ninguém lembra, disso nunca quis lembrar."
Tudo bem. 3h50, o tempo passa espremido, voador. E ela se encontra ali, intacta, mas não ilesa. Sente vontade de varrer e passar pano em si. E apenas tirar o pó de algumas coisas de dentro. "Tem coisa que a gente não precisa deixar nada levar. Lavar. Limpar. Tem coisa que tá sempre limpa."
Ás 3h55, desiste.
Pertence á tudo. Tudo o que já não se sente mais por tanto tempo de espera pela mudança. É tanto tempo que já se acostumou com esse cheiro de incômodo e insatisfação.
Pena passar despercebida.



Ah, claro.
Feliz ano novo.
Supôs.



quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A gente é feito pra acabar

Ontem acordei decidida à dar uma volta pela praia.
Não como geralmente dou uma volta pela praia. A gente sempre sai pra passear por aí com intuito de ser feliz e gerar felicidade alheia.
Ontem acordei decidida à dar uma volta pela praia pra observar o céu e o movimento das nuvens. Ah, sim, observar-me também, e observar nosso amor na memória e nos dias que vem caminhando sob nossas vidas. Nossas, de nós duas, num par.
Andei, perdi o fôlego, pensei em tomar uma coca, acabei tomando água, o que tu sempre diz? "Não quero saber! Água é saudável! Você só bebe refrigerante!"
Água. Leve. Simples. Essencial. Nunca havia sido assim.
Pela praia haviam muitos casais em bancos situados embaixo de árvores. Fiquei pensando se alguns daqueles afetos não seriam fingimento em parte. Todo mundo tem medo de perder o que acha que teve um dia. Talvez alguns dos tantos que avistei fossem feitos pra acabar. Mas cada um acaba de um jeito.
Fim de ciclos, finais, fim. Entrei nessa área de raciocínio quando já estava chegando na frente daquele lugar onde você passou a ser minha. Lá. Sabe?
Andei sem freio e não sei pra quê. Não me senti feliz por olhar o céu e avistar tudo azul e quase nenhuma nuvem. Não era se quer possível enxergar formatos nelas. Macacos. Nem Caio nem Fernando.
Mas todo ser tem essa necessidade fútil de questionar a vida quando as questões estão vindo da boca de outras pessoas. Essa necessidade fútil de merda de complicar ainda mais tudo.
Cheguei à uma conclusão.
A gente é feito pra acabar.
Fui andar na praia pensando no nosso sequestro duplo entre nós mesmas.
Não havia solidão em mim. Não caiu se quer uma lágrima. Havia um casal na beira da água. Eles gesticulavam, o que apenas consegui enxergar, foram rios. Poluições.
Não me senti feliz por olhar o céu e avistar tudo azul e quase nenhuma nuvem. Tu nem se quer tava lá pra apreciar por mim. Apreciar-te apreciando a paisagem.
Caio e Fernando prefiro apreciar em casa e na tua cama. Cada um com um cheiro importante pra ti. Enjoativo pra mim... Aqueles cheiros de todos os dias.
A gente é feito pra acabar no mesmo verso de música, no mesmo capítulo ou na mesma página do livro. A gente é feito pra acabar debaixo dos lençóis ou em cima das cangas em noites de luar na praia a beira mar. A gente é feito pra acabar começando cada dia mais a sentir um sentimento novo.
A gente é feito. Feito de tanta coisa. Feito pra começar sem terminar. Aprendo sempre a ser feita por ti. Seja feita por mim.
A gente é feito pra acabar no sentimento descrito na última linha do texto. A gente acaba em par. Pra se amar. A gente é feito pra acabar, e isso nunca vai ter fim.

PS. Mais do que céu azul: céu escuro com pontos de explosão, estrelas.
Deixo o vento nos levar. Vai saber no que dá.



"Quantas são
As dores e alegrias de uma vida
Jogadas na explosão de tantas vidas
Vezes tudo que não cabe no querer..."