domingo, 15 de janeiro de 2012

Nostalgia de ano pra ano: permanência.

Escrito em 15/10/11




Perigo.  Nunca o apreciei. Não até te conhecer.
Perigo. Agora o aprecio. Porque te conheço, e te pertenço. Pode chover lá fora que eu ouço o barulho da chuva igual a uma cachoeira, que acalma. Cê aqui do lado, dormindo, na mesma cama, dividindo teu cheiro que faz adormecer comigo; calmaria. Passo a mão no teu cabelo enquanto tu dorme e digo "Que delícia te ter." Vai saber se tu ouviu, mas eu guardei comigo. Não era pra ouvir, mesmo, foi um desabafo, isso, isso aí, um desabafo. Na tela da tevê eu ainda coloco no DVD aqueles episódios de The L Word em que Shane e Carmen se desejam explícita e ocultamente ao mesmo tempo, mas mesmo assim não tô nem aí pras duas, não consigo prestar atenção no que elas dizem discutindo na cozinha. Eu quero discutir contigo aqui, no quarto, mas de outro jeito. Minha boca discutindo com a tua quanto tempo elas conseguem ficar sem se desgrudar. E se a gente conta o tempo, cê sabe, desse jeito ninguém vai embora. Não quero te deixar ir, de qualquer forma.
Deito sobre teu peito e sinto teu batimento. O teu ou o meu? Qual batia com mais intensidade, me diz? Eu não consegui decifrar. Que é só te olhar pro meu batimento aumentar. Te olho nos olhos e penso umas cinquenta coisas por segundo, sendo assim, três mil coisas num minuto. E todas relacionadas a você e ao bem estar que o agora me proporciona. Tua mão passeia pelas minhas costas quentes, apesar do frio lá fora. E eu fecho os olhos e desejo que isso nunca acabe, que nunca acabe.


(Silêncio leve)


- Te amo. - Tu gagueja, como quem procura palavras semelhantes mas ao mesmo tempo inovadoras. Mas continuo e digo mais: - Ei, pequena. não diz nada, só ouve. Je't aime, com esse meu francês falhado, I love you, com esse meu Inglês imperfeito. Te amo com meu português impecável.


Te abraço forte, junção de peles e barrigas e peitos e corpos juntos. Dou um pulo de susto; 20h30, ó o despertador com Do Sétimo Andar tocando e anunciando momento de despedida. A foto mais bonita que eu fiz, você olhando pra mim. Guardei muitas fotos. Guardo muitas. E cê faz papel principal nelas, saiba. Tu diz que agora a música não vai sair da tua cabeça, e fico pensando, não quero sair também.
Aperto o next do Windows Media Player e lá começa a tocar You're the direction I follow to get home.

Te deito comigo na cama, mais uma vez, e fico ouvindo cê cantar pra mim. Quero mesmo ser a direção que cê segue pra ir pra casa, mesmo que eu ainda ache que a casa que tu deverias ir é pra minha. Pra nossa.


Tu diz que nunca sei cantar música alguma, nem em inglês nem em português nem em qualquer outra língua. Mas o que tu pedir pra cantar, eu canto. Mas se tu pedir pra eu cantarolar que te trombar é o que eu quero mais, eu canto. Se tu pedir pra eu cantar em hebraico, eu aprendo e canto, só pra ver teu sorriso doce desabrochar no canto da boca.

Te levo em casa, te agarro forte, sussurro que contigo meus dias e tardes e noites e meses tem valido á pena. Pena não, tem valido o perigo. Tem proporcionado amor.
Te solto com dificuldade, primeiro um dedo, depois a mão inteira. Tu se afasta indo pra casa. Pra tua casa.
Amanhã tu vens de novo, penso, amanhã tu vem pra mim. Mas quero agora. Com todos os agoras possíveis.
E volto pra casa, agarro meu travesseiro que envolve teu cheiro, e durmo, pro amanhã vir e pro perigo não se distanciar assim tão fácil de nós.
Amanhã eu fico triste de novo por ter que te deixar ir, mas a melhor parte de você, permanece comigo. Aqui, onde palpita forte quando te vê.

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