segunda-feira, 22 de março de 2010

F.P (A.C.)

Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e á pedras, ás almas e as máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.
Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais á mim própria
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem ama a beija.

Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras
Não nenhuma mais do que a outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma feira e tudo saão barracas e saltimbancos.
Penso nisto, eterneço-me mas não sossego nunca.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Perco-me, porém, encontro-me.


Perco-me em emoções várias. Sinto vontade de chorar e choro. Encanto-me.
Fascino-me. Sou receptiva e fico feliz, mas também tenho receio de me soltar ao certo.
Palavras são palavras, já diz uma composição popular e tenho uma história de amor com elas.
Guardo-as com carinho, pois não largo o amor em um arquivo qualquer.
Mistérios são até certo ponto feitos para desvendar. O último que desvendei veio de olhos bem fechados. Foi
dificil em sua alma penetrar.
Textos e mistérios me fascinam. A pessoa por trás deles pode me fascinar muito mais, pois o mistério não acaba com o primeiro, nem com o segundo olhar.

Textos me dão flores roubadas e me param a respiração. 'O homem' me traz a paixão, Eu ouço Cazuza, enquanto escrevo.
Sou tímida e as palavras também me ajudam. Sou reservada, mas gosto de brincar, e se a mão que toca a minha me leva
a confiar, vou sem medo de arriscar.
Textos, mistérios, timidez, ousadia, amor, compreensão, ira e perdão fazem parte da minha essência. Da sua não?

sábado, 13 de março de 2010

Amanhã...mas só amanhã.

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; nas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A perisistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cançaso de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...

Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar em amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana,
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda semana da minha infância...

Depois de amanhã serei outra,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente lida e prática
Serão convocadas por um edital...

Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repentiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Depois de amanhã terei finalmente o que hoje não posso nunca ter.

Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...
Sim, o porvir...