terça-feira, 27 de novembro de 2012

Chuva sou, Sol és

Não conseguir mais te olhar é algo forte e arrebatador demais à ser sentido e dito. Não consigo é te olhar e não compreender porque você balança tudo à minha volta, e quem cai do balanço sou eu. Caio do balanço num abismo opaco, sem brilho algum. Minha cabeça dói. Meus olhos encharcam meu rosto, mas nado fora do meu próprio mar azul, quem sabe num rio ou córrego. E por um (de tantos) momentos, o que precisava para sanar essa dor devastadora e ingênua, se assimilaria à sanar minha saudade. A saudade é livre e ataca os mais presos. Declaro meu aprisionamento completo. Andas comigo lado à lado dentro da cela. Nos choques de mente. Nos anseios. No gosto de minha própria saliva na qual já nem mais sinto ser produzida ao certo. Há quanto não vejo um copo d'água para refrescar necessidades. Não compreendo mais o que é necessário. E de estar refrescada estou longe. Eu não sei se quero as chaves para a liberdade. Talvez permanecer nessa cela, sumir por completo, e te deixar livre pro mundo e seus outros milhões de olhares coloridos, me faça ser um pouco mais certa de que ao permanecer presa neste abismo eu não te puxe para ele também.
O abismo é ao redor, a escuridão do labirinto. E mesmo que nele, sempre à reconhecerei, de longe e sem os óculos arranhados; de perto com olhos fechados. Na mente encontro a mais bela das luzes, produzidas por teu sorriso. Especial (supostamente) sou: carrego na mente, à cada segundo e por cada lugar, uma das coisas mais valiosas que percorri o coração, o olhar e o desespero. Você.

domingo, 25 de novembro de 2012

Gritar (Calar pt2)

"Fechei os olhos. Tentei calar o choro, mas tudo o que ele sabe fazer é gritar. Não entendo o que diz. Apenas ouço-o quebrar os vidros da janela toda vez que mostra presença.
Por todos os meus dezoito anos de vida eu me fiz calar. Me calar pras vozes sem som, vozes sem melodia. Pra atitudes sem cores, sem amores. Me calar pro meu próprio choro.
Mas dentro de mim sempre gritava. Sempre grita. Eu grito esperança. Eu grito minha própria melodia, meu próprio amor, minha própria poesia.
Em mais um ano de vida tudo o que desejo é fazer a vida florescer. Crescer em mim para compensar os centímetros que me faltam, mas que são reversos na pessoa que sou. Minha calma reflete na minha personalidade. Personalidade essa que cala e agora, a partir de agora, que serei um novo eu, também gritará. Meu tamanho termina onde as pessoas também terminam de menosprezar ao próximo. E por não haver um término ao menosprezo concreto e real, por ninguém enxergar, saber escutar; sou grande que só. Calo o mundo e grito o bem."



Feliz aniversário.

domingo, 18 de novembro de 2012

Um olhar de relance no metrô (um de três)

Tu. Tu e teus cabelos.
Cor de sangue, que tanto arrancam de mim. Com o olhar, com o penar.
Perdes o ar, e eu o fôlego ao ver-te.
Me torno um ser ofegante em segundos
E tu simplesmente segue adiante. 
Tu e teus cabelos
Vermelhos.
Eu e meu dilema, sempre com o mesmo tema.
E tu teimas em ir.

(À todas as paixões platônicas - momentâneas - que acontecem durante o cotidiano).

domingo, 11 de novembro de 2012

Sem pesadelos


De formas indecifráveis e de onde não se enxerga o horizonte. Eu me perdi. Me deixei fugir.
Fugir do meu normal, do meu estado racional. Entrei em transe.
Cessando todos os pesadelos já vindos. Não bem-vindos. Assim foi tua chegada.
Tudo bem, não direi que contigo passei a enxergar o horizonte - para isso comprei meus óculos. Mas contigo aprendi a enxergar o que há por dentro. Quem sou eu? Alguém em constante melhoria. Dou uns tropeços, mas tu segura meu pulso e me puxa de volta. O que há dentro de mim? Uma vontade certa e indeterminável. Intemporal. Constante e absoluta. Tu és minha constância absolutamente certa.
Me perdi mas me encontrei quando enxerguei ao meu redor. Lá estava tu. Pacífica. Confiante.
Me deixei fugir, mas em algum momento teria de voltar. De voltar pra perto de ti, pra dentro do nosso eixo de compartilhamento intenso e reflexivo. Não apenas transas, mas sim amores. Amores plurais à dois.
Somos dois. Duas. As únicas aqui. Não precisamos de anel, não precisamos de papel escrito e assinado. Nosso casamento é interior e constante. Absoluto. Pacífico de calmaria.
Ás vezes me vem, subitamente:
Fugir.
Perder-me. Pra perto de ti. Pela mente que não descansa nunca.
De formas indecifráveis e de onde não se enxerga o horizonte. Eu me perdi. Me deixei fugir.
Fugir do meu normal, do meu estado racional. Apenas por algumas noites de pesadelos. Inclusive neles você está presente, me causando medos e lampejos do que não aceito.
Os sonhos voltaram, e você junto à eles.
Essa vai ser sua última chance.
De me beijar mais uma vez parando minhas horas ou até meus dias. Quem sabe minha vida.
A primeira. Última e eterna. Constante. E absoluta.

"De tanto não parar a gente chegou lá."

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Breve

Comprar a flor.
Passar a ser flor.
Presentear-te comigo; tal flor.
Tu, que aceitaste a flor. Me aceitaste.
Despetalaste a flor,
Quebraste o talo.
Fui pétalas importantes não mais que um dia.
Fui o talo,
Foste a mão
Que me partiu ao meio.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Ópera

                                                        Pavarotti - Vesti La Giubba

   Aquela casa quase de esquina, daquele bairro com praticamente nenhuma gente, quem dirá gente fina; mas que abriga aquela mulher que se tornou minha sina. Ah, corpo esse que me abriga a alma! Devo, com todo o meu eu interior, deixar ir para fora tudo de ruim. Deixar sair de mim. Mas com muita calma. De palavra à palavra, devo esvaziar corpo e mente para tua chegada em minh'alma. Encontro-me à tua espera, meu doce ser. Vem. Contigo quero aprender a ser alguém também. Tão bem e bom quanto posso crer que serei.
As chaves ficam embaixo do tapete. Abre a porta e entra. 
Venha fazer parte de minha ópera, incessantemente ligada no último volume de minha mente com poucas curvas.