domingo, 23 de outubro de 2011

Verbo intransitivo.

-Te amo.
-Eu também.
-Se ama?
-Te amo.
-Ah.

(Silêncio)

-Que há?
-Nada. Pensando.
-Niquê?
-Que me amas.
- E acreditando?
-Sim.
-Ao menos, isso.
-Menos?
-Ou mais, também.
-Mais!
-Ao tudo, isso
-Sim. Tudo. Tudo é mais.
-Tudo é tu.
-É nós.
-Nós.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

62 - Porque mesmo com tanta erva daninha querendo empestar no nosso jardim, eu cuido, tu cuidas, nada de mal entra aqui. Ei de transformar esse jardim em floresta. Cresce, floresce, frutifica.

domingo, 2 de outubro de 2011

R/Rima



Olhos fechados pelo cansaço. Escuridão agradável. Uma cama e nenhum travesseiro. Um eu e nenhum nós. Começo de Junho, o frio se torna presente por conta própria. E nenhum cobertor, nenhum agasalho. Nem mesmo luvas.
Andei pensando, essa vida me derruba. E depois me levanta. E quando levanta, subo no meu salto e de lá não desço, - não tão rápido. Que pra me derrubar do salto, é só me empurrar como um prato de comida estragada. Fingir que tem tudo, quando enxergo que não tens nada. Já perdestes a mim.
Que pra ti o que vale é viajem, dinheiro no bolso e só. Esqueces do mundo, e tudo em mim fica como um nó. Nó que não se desfaz. Passei dias assim; fugaz, rápida, fugitiva.
Tudo aqui parece mais uma ida, sem fim, sem volta. Dez míseros dias, ah, isso transformou-se em revolta. Fácil passar oito meses sem ti. Dez dias perto, ah, oquêi, tudo certo. "Com certeza", penso, "é questão de costume". Oito meses de azedume. E agora chega, stop it, acabou.
Vou transformar minha vida em coisas que você nunca notou.
Mas por favor, volta, um dia, quem sabe.
A tua menina então quer poder dizer: ei, Senhora! Minha fé em ti nunca se esgotou.

Mais um ano se passa. Dois. Meus olhos se fecham, minha boca abre.
Abre gritando por socorro. Que se grito ou desacredito em ti, tanto faz.
Que se te espero ou corro, pra longe de tudo, não importa, permanecerei n'outro mundo. Nada mais há de vir.

Olhos fechados. Escuridão.
Primeiro de Outubro.
Tudo em vão.

Eduardda Carvalho

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Só mais um dia de frio no começo do mês de Setembro. Mais uma noite. Só mais um cigarro que foi queimado entre muitas tragadas por tempo recorde. Esplêndido é fumar um cigarro mentolado em menos de um minuto e meio. E tudo culpa da revolta. "Quanta repugnância" são as palavras que deixo escapar. E incontáveis vezes, até colar na mente. E será que cola? Será que gruda?. Tá um frio do cassete aqui nessa cidade. Nenhuma jaqueta de couro esquenta menos do que a minha. Bato os dentes de frio. No player do celular já acabado, desgastado e que infelizmente é de meu pertence, The Killers me matam dizendo smile like you mean it, smile like you mean it. E finjo que entendo. Mesmo que não entenda. Enfia um sorriso na cara e fica tudo bem, pequena, é assim que é. Tudo somente mais um adicional. Quem sabe, para mais incógnitas pessoais nas quais me proponho. Mais um motivo adicional pra fumar outro cigarro. Mais um motivo pra querer sorrir por entender; querer e esperar poderDreams aren't what they used to be, some things sat by so carelessly. 

sábado, 3 de setembro de 2011

Apoteose do grito.

Os órgãos desse meu corpo completamente amortecidos após quase um maço sumindo. E todos desejam pular para fora. Gritar. Pedir socorro. Mas são apenas os órgãos abrigados em meu corpo. Não faço parte do grito. Sirvo de abrigo pra tanta coisa. Me sirvo de abrigo.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Minucioso fim

Nem que fosse por um segundo. Mas queria quase que muito, que sentir não fosse assim, tão vital para si mesmo. Ah, queria. Mas também, a coisa é sentir nada. Apenas não sentir.
Ele, já acabado, já desconhecido (Já não era possível reconhecer a si mesmo), já cansado de tanta coisa  -de tanta merda, para ser bem claro - se senta no sofá - tão velho que já não era possível recordar quando foi comprado- acende um cigarro, aproxima o copo de uísque para perto de si. E automaticamente, solta palavras, como se fosse uma só, como um pequeno e imperceptível sopro:
–  Que arranques sentimentos mórbidos, cálidos de mim. Arranque começando pelas veias, e termine por órgãos, talvez me mate, talvez me mantenha vivo. Aliás, quem és tu, que me ouves?
Olha ao redor. A casa continua vazia, intacta, não perfumada. Traga seu cigarro aceso, toma seu uísque já quente, que desce queimando pela garganta. E tantas coisas tem descido queimando ultimamente. Coisas tão distintas de um simples uísque. E então, começa a pensar, pensar, pensar. Pensa mais do que gente grande que é. Raramente coisas como esta acontecem, e oh, amém, agradecido estou, pensa, com aquele demasiado fútil sorriso de canto. Fútil não, tudo bem. Sincero demais. Aprofundado demais. Sorrisos sinceros e aprofundados são assim: perigosos. Ele havia acordado assim mesmo, perigoso demais. E que todos se afastem, pois um homem com um copo de uísque e um maço de cigarro pode ser perigoso quando misturado com a fúria do desprezo causado pela sociedade fodidamente preconceituosa.
E então conclui:
- Ah, cassete, tu que ouves... Tu és meu reflexo no espelho. Vais cumprir com tua promessa? Vais arrancar sentimentos do qual fui contaminado andando perto de pessoas sem valores? AGORA, que arranques de mim.
Pois então, vai até a cozinha, abre a gaveta. Repara em sua coleção de facas, e começa com sua promessa. Seu próprio reflexo, incrédulo, de frente para si, começa a obra.
A faca começa a entrar por entre o peito, arrancando os sentimentos mais profundos primeiro. Afinal, é como dizem: se varres a casa, tire primeiro o grosso da poeira. O minucioso fica para depois.


Era mais uma catástrofe provocada pela sociedade e pela depressão. Pela atual merda de sociedade e seus valores também de merda.
E era mais um fim.

domingo, 31 de julho de 2011

Jardim, Jardins. Eu, elas, talvez nós. E faltou arrancar o singular oculto disso tudo.

          "Ei, guria, linda linda linda. E que feches a torneira ao lavares a louça, bem aí. Muita água está a ser desperdiçada." ela dizia. E bem que me recordo, dizia quase como que em um canto. Daqueles que até não existem, pois este seria único, e só existiria por calculados quatorze meses. Daqueles que soltam junto ás palavras presentes, o doce aroma de morangos. Frescos morangos vivos vermelhos plantados em jardins bem cuidados e regados e amados e seja o que mais for desejado. E como era extraordinário observar. Observar o quão preocupada Luísa era. Preocupada com o mundo. Comigo, consigo, conosco. E te acalma, sentimento. Tu mesmo aqui no peito. Sabemos que nada permanece intacto. Deixo subentendido, logo então - sabemos que tudo muda. Jardim enche, empesta de erva daninha se não cuidares bem - e deixe-me assim, querendo, tentando, quase conseguindo ser sincera: Não cuidei. Luísa e eu não cuidamos do nosso jardim. Não-cui-da-mos. Ah, que pena pena pena. Uma pena, ou talvez até duas. Ah, grande pena. Inesquecível, irremediável pena. E saudade, o que naturalmente se tornou. Mas assim que é, enfim. Pena e pena e pena. E fim. Foi-se, fomos. Eu de cá, tu de lá. Acabou-se, acabamos. Eu de cá, tu de lá. 
         E passou tempo, viu, e passou. Uns dois ou três anos. Setecentos e quarenta e seis dias - tenho contado. E quantas Anas, Carolinas, Joanas, Laíses, Ingridis, Claras ou Elisas vieram? Caralho, quantas, não? E como foram significantes, logo suponho! Não. E como foram insignificantes (duas a menos, com a letra C iniciando ambos os nomes) logo concluo! Ah, Clara e Carolina. Doces, frutificadas. E foi bem assim: Com Clara foi intenso, ah se foi. Porém, durou dois meses e umas muitas horas a mais. Sessenta e quatro dias. E não dobro a língua ao dizer: foi único, mesmo. 
         Tardes e tardes rentes uma à outra. Olho no olho, boca na boca, corpo no corpo. De fundo, o barulho de incontáveis carros que pela avenida passavam, soltando fumaça e tudo mais de ruim - poluindo tudo. Também misturado às tardes, Rogério Extraordinário Flausino, vocalista da Jota Quest (Banda esta que marcou nossos sessenta e quatro dias juntas) cantava e cantava, posso brincar de descobrir desenho em nuvens posso contar meu pesadelos e até minhas coisas fúteis posso tirar a tua roupa posso fazer o que eu quiser posso perder o juízo, mas com você eu to tranquilo tranquilo. Estive tranquila. Até Clara e seu demasiado maravilhoso dom de saber ensinar a esquecer transformar-se em apenas uma-merda-de-dom-de-apenas-esquecer. E isso foi tudo por uma morena estranha (cujo nome não me recordo) aparecer. E foram alianças recém-compradas jogadas fora, e um possível pedido de compromisso sério carregado ao lixo junto à elas. Logo após, surtei. Confesso, esqueci do nosso jardim. Fazer o que, lá só haviam rosas e rosas, nunca gostei delas, e aquele monte de grama mal aparada? Nananinanão. Não deu, realmente, não deu. Nunca soube o que fazer, mesmo. E nenhum ser me ajudou a fazer mais do que lembrar de fechar uma torneira. Afinal será que amar é mesmo tudo. E não dobro a língua ao dizer: Transformei os sessenta e quatro e Clara em nada. Era meu modo de driblar emoções agudas quando perdidas.
         Dos setecentos e quarenta e seis, chego aqui ao segundo capítulo. Carolina. Foram cinco meses a mais do que com Clara. Duzentos e dezoito dias no total. Até que durou. Foi um daqueles - considero eu - nada típicos relacionamentos conturbados. Foi bom. Carolina era generosa até demais. Contudo, era quase forte, quase crescida, mas nada madura. Ela me encontrou eu tava por aí num estado emocional tão ruim. Me sentindo muito mal tanananan, perdido, sozinho errando de bar em bar*. Foi e era pra ser. Foi minha e era pra ser minha. Carol possuía aquele Q (de qualidade) especial. Tinha o real dom de ensinar a esquecer. Me ensinou a. Agradeci. Me envolvi. E até que cheguei a me apaixonar. Éramos indescutíveis fãs da noite. Muitas destas, em diversas ocasiões, me encontrava ao seu lado, repetindo ao pé de seus branquelos ouvidos: Hey, hey...Sweet Caroline, good times never seemed so good**. E era realmente doce, doce, doce. Tanto que como um vício, me tornei fraca ao ponto de ser definida como viciada nela.
        Mas também, por vezes, era daquele jeito nada bom. Quantas e quantas desavenças, quanto ciúme, quantos erros. Eu fantasiando de cá que a guria havia de amadurecer. Ela fantasiando de lá que minha atenção era pouca - 24 horas por dia ainda não eram o suficiente. Nosso jardim era bem como devia. Minhas flores prediletas: lírios e mais lírios. Girassóis e mais girassóis. E nele haviam apenas animais minúsculos e com uma certa liberdade gigantesca; pássaros, borboletas. E foi aí que fodemos com tudo: já não havia mais liberdade entre nós. Só eu cuidava da porra do jardim. Era mato demais para um só ser tomar conta e manter nos trinques. Empestou também, erva daninha daninha daninha. Me doeu. Nossos duzentos e dezoito dias e noites foram úteis, yes. Únicos também, e com todos os Us bons que fossem possíveis serem doados. Ás vezes acontece de me vir a lembrança de que até chego a dobrar a língua ao dizer que não esqueci, que não deixei passar, que fui fraca pela segunda vez, pois devia ter provocado justamente o contrário, que havia de ter o tornado inútil, não único, puf, nem um pouco único. Que deveria ter esquecido cada migalha (ou seja talvez melhor dizer gota) de algo que foi tão duzentas e dezoito vezes complicado. Então pude realmente dizer, ah, que pena pena pena. Que dor, que tudo, que nada.
        E neste local do texto, se encontra o terceiro e último capítulo deste monte de dádiva conturbada. Carolina me ensinou tanto tanto a esquecer, que me encontrei um tempo esquecida de tudo, principalmente ou com certeza, de mim. Quase que me fiz perguntas como Que dia é hoje ou Que mês é este, e até Onde está a chave do carro. Me sobraram quatrocentos e sessenta e quatro dias assim; na merda, só. Esquecida. E o que é triplamente pior: por opção. Onde estaria Luísa para arrancar esta porra de inadiável saudade das veias e órgão conhecido como coração presente aqui no peito ou, quem sabe, talvez, para arrancar a erva daninha do jardim que nunca possuiu um nós, pois foi sempre um Eu, solitário e singular.
       Me sento no sofá logo após de lavar a pilha de louça antes acumulada, acendo um cigarro, torno a escrever. No rádio, Los Hermanos e aquela Adeus você eu hoje vou pro lado de lá eu to levando tudo de mim tocando. E não por esquecer, talvez inesperadamente e por desinteresse, a torneira da cozinha permanece entreaberta, deixando escapar em cada gota, quantidade por quantidade de água que poderia ser usada por aí para regar muitos e muitos jardins.


Texto inspirado em contos presentes no livro Morangos Mofados, de Caio Fernando Abreu, e em algumas decepções.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Planos essenciais interruptos e inconclusos.

Obrigação de acreditar em não acreditar. Acreditar em nada. Nada que também seja uma obrigação. Obrigações ensandecidas, como por exemplo, viver ouvindo; repetindo; aderindo versos de (direi ensandecidamente) palavras-de-um-futuro-bom-apenas-pela-justa-causa-chamada-lembrança-tua. Obrigação de ser justa. Justa em aderir obrigações. Obrigação de ser recíproca. Contigo, comigo, conosco. Obrigação de ser piegas apaixonada. Doce, derretida, açucarada. Obrigação de ser fria e calculista. Com coisas necessárias e também aquelas coisas minúsculas-inúteis. Quase nunca é necessário desprevenir-se. Obrigação de ser sincera. Conceito que vem de casa. Obrigação de entender. Primeiramente a mim - o que já é uma puta de uma tarefa. Obrigação de fazer felicidade fluir. Gestos, sorrisos de canto, sorrisos completos. Obrigação de ser realista. Obrigação de NÃO agir como a maioria. Para fazer um ser feliz com um nada, muito fácil! APRENDE: Obrigação de dizer coisas fúteis, pois, ao que parece, é assim que comovemos cabeças vazias. Come on, olhe ao redor e perceba: quando é real; sentimental, sempre vem um "tô nem aí". Então não ligue mesmo, não ligo mesmo. Obrigação de não ligar. Para o que dizem, muito menos para algumas letras formando palavras daquilo (bobagens-desastrosas-fodidas-e-complicadas) que digo. Para o que sentem, para o que sinto. Para o teu telefone celular. Obrigação de voar, dentro da mente, vontade de tanta gente. Obrigação de ser, estar, ir, lembrar, esquecer,  acostumar, doar, levantar, adoçar, acreditar. Obrigação de acordar, pegar papel e caneta e anotar, tudo, todas elas. Todas aquelas velhas obrigações.  

domingo, 5 de junho de 2011

Um que pôde, por uma resposta ou um gesto, tornar-se único novamente.

Ela estava sentada no banco de trás do carro, ao lado esquerdo, bem atrás de mim, que conduzia o veículo. Não quisera sentar ao lado meu, pois me evitava desde o dia anterior. É isso que acontece quando é dito o que não querem ouvir. Sempre soube, porém nunca o fizera. E perceptivelmente a sociedade se chocava -e se choca- quando alguém o faz. Eu o fizera. E ela não entendera, apenas fechara sua bela cara para os meus olhares.
Noite passada tivemos uma aprofundada conversa sobre não sei quem...(não me lembro, pois os goles de vodca já haviam me afetado um pouco) que acabou nos levando a falar sobre "nós". Contudo, sei-o bem, lembro-me bem da mais importante parte, quando disse, observando sua postura ainda séria ao segurar uma lata de cerveja já quente:
"Nosso relacionamento já tornara-se frio, amargo, não único e apenas um." Olhei o chão. "Apenas mais um." Tornei a observa-la. "Porém continuo a amando, porém quero tornar tudo como ao início, porém quero nos tornar únicas para nós mesmas, assim como o anteriormente ocorrido. " E tudo o que ela, tão séria e também descontraída soube me responder, foi um belo de um "Veremos".
Quer dizer,"mermão", que tu te esforças, diz ali, na frente, corpo á corpo, cara á cara, cerveja a vodca, que queres tornar-te única, quente, fervente novamente para sua amada, e a moça, não mais tão bela por uns segundos, lhe responde, seca; irreconhecível; morna; muda e ao mesmo tempo falante demais para tanto vazio; isso...
Era o fim. Era o perceptível fim. Logo ali, foi de perceber: dia seguinte estaria dirigindo o pequeno Fusca VW 66 (sob ótimos cuidados, herdado de minha avó), com suas coisas no porta-malas, e ela ali, olhando-me do banco de trás, novamente morna; irreconhecível, como se a errada fosse eu.
Não é comovente o quanto dá de perceber que querem (ou queres tu, em especial); desejam ouvir o que lhes agrada. Seria mais fácil ela ter me levado a sério, embora vodca e cerveja não sejam semelhantes a isso (Porém, nosso amor iria muito além de semelhança qualquer). Seria muito melhor temos tido a chance de nos salvarmos, e salvarmos o amor que hoje em dia encontra-se tão fraco, em cacos, sob clichês arrogantes nesse mundo. Seria muito mais fácil temos nos tornado únicas, ao invés de apenas mais um.
Seria, não há de ser.
Não tentaria salvar, nunca mais, nada que começasse a ser movido á clichês. Já que hoje em dia, torna-se um "eu clichê" até aquele que ousa pronunciar que clichê não se tornará. Todos o dizem. Eu, não sei (Para não dizer simplesmente não, e tornar-me um adicionado clichê).
Só quero salvar o mundo disso.
Só quero que seja novamente.
Mas não o farei. Não mais.
Seria, não há de ser.
Um amor que poderia tornar-se único. Um não é único, nunca será. Quantos números um existem nesse imenso mundo?
Um que poderia tornar-se único novamente.
E pela janela do meu fusca, olho as casas, os segundos e os sentimentos passando, e nós, juntas no mesmo ambiente, talvez pela última vez, talvez pelo último nós. Talvez pelo último momento um, único, porque eu o tornaria assim.

segunda-feira, 14 de março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

É tão bom ser mais nós.


Me olho no espelho. É diferente, chega a ser estranho. Não me reconheço - porém, é como se sentisse que estou ali. Meus olhos já não são mais azuis, escureceram para um tom de castanho-mel. Meu cabelo, agora liso, tem cor em sintonia. Não tenho mais cara de pequena, porém, sou uma adulta com o mesmo sorriso de tal (essa é uma das vantagens de não envelhecer nunca).
Paro por um minuto.
Penso...
Penso...
Concluo.
De repente, olho ao meu redor. Descubro-me. Percebo que estou cara a cara comigo, que já não sou mais eu mesma.
E então, incontrolávelmente, me escapa um sorriso. Estou tão feliz por ver-me, porém, sinto que não sou eu ali.
Uma presença tão doce e leve - jamais a esqueceria algum dia em minha vida.
Ela tem olhos azuis como eu um dia tive, cabelos cacheados. Reparo em sua mancha de nascença na mão esquerda. Cara de pequena-crescida. Provavelmente teria minha idade. Exatamente igual a quem fui um dia.
Seria eu, então, a base de sua essência?
É como se eu soubesse...
Da mesma forma que sabemos que, se nos jogarmos em frente á um caminhão em movimento provavelmente acontecerá uma tragédia, eu, naquele momento, sabia; sentia; percebia mais do que qualquer outra coisa (ja estava totalmente arrepiada por um segundo) que sem ela não teria sentido algum.
Minha essência então, pertence a ela, e a dela a mim.
Irmãs gêmeas? Melhores amigas? Mãe e filha?
Uma mistura de tudo.
E com um enorme toque de ser mais nós.
Como é bom...
Ser.
Sou.
Sou+Nós.




Á minha querida mãe, que hoje completa mais um ano de vida.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Todo Carnaval tem seu começo.



CAFÉ

Talvez Deus e o mundo soubessem e já haviam percebido. Mas eu não. Eu mesma não percebia o quanto precisava de uns cubos de açúcar no meu café. E sempre fui do tipo que acreditou que o café só ficaria doce com muito esforço, com muitos cubos. Na verdade, nem de café eu gostei mais do que dois ou três dias da minha vida, sendo esses, dias em que havia me perdido, que fechei as janelas e sabe-se lá quando as (re)abri. Mas não sei...de uns tempos para cá, tenho bebido muito café, e não tenho me esforçado tanto para colocar açúcar nele. Não porque ele esteja, agora, sempre doce, mas porque me cansei de tentar adoçá-lo.
O carnaval deste ano foi um pequeno período em que o café ficou dias de lado, e no ultimo dia de carnaval, o açúcar se mostrou presente sem esforço. 

ÁLCOOL 

Eu a (re)descobri novamente. Depois de meses ou, talvez, um ano depois. Eramos pouco próximas e então, nossas vidas caminharam para lados opostos.
Me conheço desde sempre e sei que na maioria das vezes sou do tipo que fisga, ou pelo menos, tenta. Mas poucas vezes fui fisgada. Poucas, mas não nenhuma. De volta ao assunto Carnaval:
Dancei; Bebi; Fui para o meio da muvuca; Sai por blocos; Passei mal; Dancei mais.
Descansei.
E na quarta-feira de cinzas, percebi que nada disso seria preciso. Que nada disso seria necessário para fazer do meu carnaval, algo doce. 

CANA 

O que eu precisava, e ainda preciso, é do seu sorriso tão aberto, assim como o meu. Da tua presença nem um pouco morna (poucas vezes conheci alguém tão fervente), mas ao mesmo tempo tão calma e tão...tua.
Preciso de piadas momentâneas, do mar ao nosso redor. Do tempo parado. E talvez, por algum momento, ficar parada, quieta, olhando nos teus olhos e tentando descobrir porquê.
Por que depois de já conhecer-te, eu lhe percebi?
'Basta eu e você'. E de companhia, no máximo silêncio ao nosso redor.
Talvez eu volte a beber café novamente. Talvez tu adoce ele para mim - por vontade própria. Seu jeito de querer bem.
Porque tu, assim como eu, não suportamos mais beber café amargo e ficar horas tentando adoçá-lo, quando, nem de açúcar seria preciso. Dá pra encontrar sabor no café não adoçado, é só ver melhor.

AÇÚCAR

Teu sorriso adoçaria meu dia. E eu, palhaça que sou, tentaria, ao menos, adoçar-te por algum momento.
Todo carnaval tem seu fim.
E nesse mar de talvez, talvez eu consiga fazer do nosso, só o começo.


Presente em forma de texto à Rhaissa Ramon (
http://caspide.blogspot.com).

Doce.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Palavras já conhecidas


Você me move. Você me acompanha.
Você me constrói.
Você me inspira. Você me eterniza.
E eu: te intensifico.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Cegueira extrema

Impossível dizer que não, que não gostei e gosto do teu jeito, possível dizer talvez.
Eu talvez goste tanto que fique até difícil de expressar, talvez eu nem goste, ou talvez eu nunca me enjoe disso.
Talvez pra sempre assim seja, talvez mude, talvez acabe, ou talvez se concretize.
Juro que você ficou em mim desde a primeira vez em que te vi, e talvez jamais sairá.
Talvez você não seja nada do que eu precise ou queira, talvez você seja muito além disso!
Ou tão talvez, nem eu saiba, de absolutamente nada... Mas desejo saber - e vou. E que tu me ensine. E que eu aprenda contigo. Mas quero saber mais, mais que nada, mais que hoje sei. Mas só se for pra me tornar sábia ao teu lado. Me ensina, que eu aprendo. Talvez demore pra aprender, talvez não. Mas me ensina, que eu aprendo. 


quarta-feira, 17 de março de 2010

Perco-me, porém, encontro-me.


Perco-me em emoções várias. Sinto vontade de chorar e choro. Encanto-me.
Fascino-me. Sou receptiva e fico feliz, mas também tenho receio de me soltar ao certo.
Palavras são palavras, já diz uma composição popular e tenho uma história de amor com elas.
Guardo-as com carinho, pois não largo o amor em um arquivo qualquer.
Mistérios são até certo ponto feitos para desvendar. O último que desvendei veio de olhos bem fechados. Foi
dificil em sua alma penetrar.
Textos e mistérios me fascinam. A pessoa por trás deles pode me fascinar muito mais, pois o mistério não acaba com o primeiro, nem com o segundo olhar.

Textos me dão flores roubadas e me param a respiração. 'O homem' me traz a paixão, Eu ouço Cazuza, enquanto escrevo.
Sou tímida e as palavras também me ajudam. Sou reservada, mas gosto de brincar, e se a mão que toca a minha me leva
a confiar, vou sem medo de arriscar.
Textos, mistérios, timidez, ousadia, amor, compreensão, ira e perdão fazem parte da minha essência. Da sua não?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Magia pura


Como eu poderia imaginar que existiria tanta magia em um único lugar?
Magia, pura, rara, única...em você, nesse teu olhar, nesse teu jeito.
Fico aqui a pensar no teu olhar, aquele
lá 
que você 'lança' pra mim em momentos improváveis, quando menos imagino. 
Os que mais me conquistam.
De onde veio você? ei...você só pode ser um sonho meu! dos mais lindos e tranquilos...
Me hipnotizar com seu olhar e me embebedar com seus beijos
é isso 
que eu desejo.
Não mais, nada mais, isso já é mais do que eu esperava.
Silencia e faz parar.


sábado, 30 de janeiro de 2010

Sem título


E ficava ali, sempre questionando-se...
''Por que a liberdade é tão necessária? eu quero mesmo é ser livre como um pássaro...poder voar, não ter absolutamente ninguém me dizendo onde ir, quando voltar...
é, eu queria mesmo era ser livre''
E tudo só se complicava para ela. Fazia de tudo para merecer a liberdade que tanto queria, que tanto necessitava. Porém jamais a conseguia. Ficava horas e horas sozinha olhando o céu estampando um fim de tarde. Pensando, pensando...porém nunca conseguia achar mais soluções. O que deveria fazer? deveria bater de frente com quem a impede? deveria continuar aceitando, continuar insatisfeita e não tão feliz como tanto quer?
Todas as opções lhe davam um certo medo. Porém, quando pensava que em alguma delas o resultado seria finalmente o que desejava, flutuava de alívio.
Pensou e mais pensou, sem chegar em maiores conclusões.
Não é tão complicado como parece, o que ela queria era apenas liberdade, já que sentia tanta necessidade de ser livre ao completo. E era tão pouco, era tão simples. O que seria tão pouco para alguns lhe causaria muita diferença. Uma diferença indescritível, grande, contagiosa felicidade.