terça-feira, 17 de julho de 2012

Aqueça a lareira interior, acenda as velas

Numa noite chuvosa de Julho. 15ºC e inúmeros pés gelados mesmo que protegidos por meias coloridas.
E um raciocínio.



"Sabe, Luísa, no mundo a maioria das pessoas são iludidas. Compram casacos e acham que vão ficar totalmente aquecidas com eles. Compram botas e acreditam que vão ser confortáveis à seus pés. Cortam os cabelos e fazem hidratações caras e acham que a fórmula contida nos cremes vão ser absorvidas pro coração também.
Mas, deixa eu te contar.
Deixa eu te contar sobre mais uma ilusão.
Mas ok, antes vamos esclarecer a primeira.


Bem melhor seria uma pessoa pra aquecer os braços frios nessa chuva toda. Mesmo que não seja neve congelante, mas, de qualquer modo, os narizes ficam frios como ela. Para substituirmos casacos de lã.
Adequadas seriam duas mãos massageando os pés com carinho - mas sem cobrança, sem a massagista profissa. Por amor. Para substituir as botas iludidamente confortáveis (porque no fim, se você caminhar muito tempo com essa bota, a mesma lhe causará calos e bolhas).
Pra uma sensação de bem estar; companheirismo. Para subsituir hidratações com fórmulas cientificamente criadas.

Tudo bem, resumindo: uma pessoa pra ser sua. Solução.
Uma pessoa para ser sua e te amar inteiramente.
BINGO.
Vamos à segunda ilusão, mais acreditada do que a primeira.

Tanta gente se cruza pelo mundo. Tanta gente se apaixona, desapaixona. Se beija, beija mais, explora tudo. Explora o corpo, faz amor, e se vai. Mas tem gente que fica. Essa gente toda que fica, que permanece calorosamente, sambam à dois.
Compramos aliança, nos presenteamos à cada mês, todos feitos com a dedicação que queremos que seja recompensada com sorrisos. No meu caso, Lu, os teus. Palavras de amor, gestos, dias e meses e anos sendo companheiros. Ciúme, porque aquela pessoa é sua.
Ãhm, não.
Deixa eu te contar uma verdadezinha: ninguém é de ninguém. Pertencer não existe. Ana pode ser de Caroline, mas se Caroline desejar ir, então, se vai. Se Ana desejar sentir mais alguém que não Caroline, ela o fará. Tantos podem se cruzar e no fim nunca ser de alguém.
Posse não existe. Nada disso existe. Tudo isso é ilusão. Ao menos uma ilusão gostosa de se viver.
E sendo tudo uma ilusão, tantos estão sob isso tudo!
Mas seria bom continuar a viver essa ilusão toda contigo. Essa suposta ilusão do ninguém-é-de-ninguém. Seria bom continuar à comprar casacos para dividirmos juntas. Botas para caminharmos uma ao lado da outra. Cortes de cabelo e hidratações para que você nunca enjoe da minha aparência pálida. Sei que jamais o fará. Eu não o farei. Eu sou sua e você é minha, para nós. Mesmo que você não seja minha propriedade, nós assumimos que nosso lar é no peito uma da outra. Eu gosto assim. Quando olho nos seus olhos e te aqueço com meus braços nesse frio congelante, todas as ilusões se sessam e eu obtenho uma única certeza. Meu sorriso pode contagiar à muitos e muitas. Mas o sorriso puro, sincero, que vem do fundo do estômago e sai voando pra fora da boca, sempre será seu.
Poderia continuar a ser assim. Pode?"
"BINGO. Vem cá, gatinha."

15ºC transformam-se em 50.