sexta-feira, 29 de junho de 2012

Três anos de três sonos e uma morte súbita

* Primeiro sono (ou sonho. As noites eram dormidas, ou um sono era observado)

Eu podia passar o ano todo te vendo dormir. Você passa por mil e uma emoções em uma só noite. Aposto que sei mais coisas sobre seu sono do que você mesma. Sei mais de ti que de mim.
Você pode não saber. Mas quando você pega no sono, nem assim solta minha mão. Teus cílios compridos parecem descansar junto com os olhos e o resto do corpo. Tua boca fica seca e ao mesmo tempo convidativa à um beijo molhado. Você acorda pra espiar ao seu redor mesmo sem perceber. "Calma, ninguém vai te sequestrar. À não ser eu." Quando você deita de barriga para baixo, meio que de lado, sei que é seu melhor momento de sono. Sei também que quando fica muito tempo virada para um único lado, é seu pior, pois você não gosta de dormir sempre do mesmo jeito - assim como também não gosta de viver dessa forma.

* Segundo sono (ou pesadelo. O Avesso do inverso do que antes era)

Eu podia passar o ano todo dormindo. Por não poder te apreciar à dormir. Eu não passo por nenhuma emoção em nenhuma noite. Aposto que não sei nada de mim. Aposto e ganho que sempre me lembro de ti antes de me deitar e ficar horas enrolado sob meus lençóis gelados. Sei mais de antes que de agora.
Eu posso até desconfiar que não. Mas quando pego no sono, logo me vem você à cabeça. Com aquela jaqueta de couro (que te deixa tão sexy e me corta em pedaços só de olhar) que custou caro e teu cabelo amarrado bem no alto, negro. Com aquele sorriso igual mel me convidando para um chá. ... ... ... Ou um capuccino. Quando durmo, meus cílios agora parecem vassouras juntas. Minha boca fica seca e quase sempre pede água. Acordo sempre para espiar se você se encontra ao meu redor. "Me sequestre desse presente." Quando deito de barriga pra baixo, lembro das minhas melhores noites. Por lembrá-las, a noite na qual me encontro se torna a pior. Quando deito de lado, lembro de quando antes não conseguia dormir. E me conforto, pois isso se torna similar ao presente. É assim que gosto de viver ultimamente. Adequando tudo o que posso ao antes.

* Terceiro sono (Ou não. Poucas noites dormidas. Morte súbita)

Eu podia passar o ano todo. Vivendo. Dormindo. Acordado pra te ver dormir.
Mas não. Você se foi.
Não mais.
Não mais estarei aqui.


Meu bilhete registrando todos os dias, cada a qual estivemos juntos, se encontra onde o escondi, atrás de uma das suas gavetas de calcinha. Você se quer notou.
E seu cheiro. Ele permanece na minha.
Mente, roupa, cama.
Mas não na vida.
Não à possuo mais. Assim igualmente à mim.

Mas não. Eu me fui. 
Ou nunca estive.

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