sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Vassoura, rodo, espanador. E muito desgosto.

Escrito em 07/01/12, num momento de exaustão.


Pré dizer: Silêncio. E sem por favor. Isso é uma ordem.
Não quero vozes, não quero movimento.
Não quero me sentir só por fora.
Quero me sentir por dentro.



3h40 da madrugada. E ela se sente assim, vazia. Os pés geralmente invisíveis de tão brancos; os sentem quase negros, obscuros, imundos. O cabelo, fio a fio, seboso. Os olhos quiçá verdes ou azuis, agora amarelados, por mofo.
Tudo cheira mal à sua volta, e pensa de repente; "tô afundada. Ferrada. Fodida."
Prossegue. Tudo bem. "É isso aí, tô no fundo. Mas o fundo de todo poço contém água pra purificar. Disso quase ninguém lembra, disso nunca quis lembrar."
Tudo bem. 3h50, o tempo passa espremido, voador. E ela se encontra ali, intacta, mas não ilesa. Sente vontade de varrer e passar pano em si. E apenas tirar o pó de algumas coisas de dentro. "Tem coisa que a gente não precisa deixar nada levar. Lavar. Limpar. Tem coisa que tá sempre limpa."
Ás 3h55, desiste.
Pertence á tudo. Tudo o que já não se sente mais por tanto tempo de espera pela mudança. É tanto tempo que já se acostumou com esse cheiro de incômodo e insatisfação.
Pena passar despercebida.



Ah, claro.
Feliz ano novo.
Supôs.



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