domingo, 11 de dezembro de 2011

Gemidos e gritos ao vento


Deita aqui nessa rede no meio dessa praia deserta. Há quanto esses bostões não lembram daqui? As pessoas conhecem prédios e iPhones e Notebooks e Notas-Azuis-Com-Três-Dígitos e esquecem disso. Mas eu ainda prefiro ouvir teus gemidos e tuas palavras de sacanagem aqui nessa rede, aqui nesse vento, aqui nessa praia.
Ainda prefiro sentir amor por ti quando brava, irritada, feliz, criança, voluptosa, toda, por inteira, vestida, de vestido, shortinho, camisetinha, ou até agasalho, ou até nua, na minha frente, em cima de mim. Aqui nessa rua, ou ali naquele jardim.
Olha a brisa, gata. Olha esse vento. Olha essa praia, assim, apenas nós habitamos o espaço. Não há ninguém aqui. Olha, olha ao redor. Olha pra mim, assim, sem uma peça de roupa, te olhando, querendo entender como as coisas funcionam assim. Como se pode no mundo querer alguém pra si por inteiro, por dentro e por fora, e não querer soltar nunca mais. Olha bem. E vem e me diz, onde tu aprendeu a ser assim? Tão esperta e tão certa. Mas tão errada em ter de ir embora nas noites em que nos despedimos naquela esquina. Mas sou tão errada junto. Erramos e aprendemos, esse é o ciclo. Te amo, te quero, te sussurro o que tu me pedir, só pra não teres que ir.



Sua menina danada. Culpada! Êxtase é o que me fazes sentir. Frenesi. Apesar do vento, o calor é extremo. Sua culpada. E te agarro e te envolvo em mim e te puxo o cabelo e te beijo com o amor mais intenso que já pude sentir e te trago pra mim, mais do que grudada já estás, te colo, não te vai. Passeio com minha mão por teu corpo branco, mas profundo, lindo, que me faz pensar que mulher pra amar, pra ser minha, bela por inteira, e que eu queira, outra além de ti não há.
Quando já havia perdido a noção de tudo, do tempo - mas não do espaço -, quando todo o calor, em chamas, já havia tomado conta de mim por inteira, ainda te quis. E desejei transportar todo esse meu calor para ti. Te beijo dos pés a cabeça, arre! Minha língua também tem poder. O poder de te amar assim como eu. Cada centímetro de ti.
Quando fazemos amor, assim, tão forte e intenso, eu desejo mais do que tudo, o pra sempre. Nessas horas não sei o que fazer, como agir. Se te passo a mão por todos os lugares com o êxtase mais profundo já sentido. Se paro por segundos e te olho. Teus seios, perfeitos, que me chamam, que os amo, tuas coxas, tua lira abdominal, costas, pescoço, onde, ali perto, mordisco e sussurro as palavras mais insanas, ali mesmo, em tua orelha rosada de tanto ardor, calor, amor que sentes. Assim te observo, por instantes grandes: nua, por debaixo, fazendo caras e bocas. Linda. Minha. E sou tua também, permanecerei.
Teus próprios instantes de frenesi. Tu faz caras que me dilaceram por inteira, menina. Caras de dor e que sei, na verdade são aquelas sensações que passeiam pelo teu interior mais profundo. Soltas sons como gemidos que vem do fundo da alma, e sinto a sinceridade vindo de ti. Tudo se finaliza, da forma mais (des)conhecida possível. Amor, sexo, você, eu, esse deserto. Esse todo num conjunto perfeito e similar.
Ficamos ainda, por ali, tempos e tempos conversando, você dizendo inconformavelmente o quanto sou bela aos teus olhos, e eu dizendo o quanto quero continuar sendo sua. O quanto já és minha por inteira. E não apenas em momentos de calor extremo - em qualquer hora do dia e da noite sossegada.
A rede balança, o vento seca nosso suor compartilhado, continuo te observando, mas agora da forma mais ingênua possível, sem sacanagens na mente, apenas desejo e querer, da forma mais rosa-claro que há. Da forma mais calma. Grito: AMO-TE! - Em um tom um pouco mais baixo: MAS AINDA PRECISO DE ALGUM ADJETIVO QUE DESCREVA ESSE AMOR TODO. - Em tom normal: Ei de criá-lo. É sentimento demais pra descrever em amor, mesmo essa palavra tendo um peso incomparável com quantas toneladas queiras me dizer que possam existir.

Arruma as malas, pequena, que a rotina vai recomeçar. Trabalho serve pra nos manter em pé, com comida, roupas e um lar compartilhado, assim como o suor de agora à pouco.
Mas te acalma, meu bem, fica tranquila. Semana que vem a gente volta pra essa praia deserta escondida no mapa onde nenhum ser ousa aparecer, aqui nessa rede, aqui nessa casa enfrente a praia, te faço ir pra outro mundo de novo, te transporto todo calor e amor, e fazemos, juntas como sempre há de ser, disso tudo, o nosso constante carnaval.


Um comentário:

Rhaissa Ramon disse...

TESÃO!!!!!!!!!! AHUUAHHUA

Mandou bem demais Dudaa!!! Amei. É legal que conforme o texto passa da pra sentir que "fluiu" tudo, sabe? O texto inteiro! :)))

Ótimo dudinha, sempre ótimo!