segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Dezessete/Vinte e nove - (In)tenso e (a)normal.

Olhos tampados. Escuridão. Breu. Uma rua, um bicho e eu.
Volta tudo.


(Silêncio.)


Um cheiro que acalma. É suave. É bom. Viciante. Seria de meu pertence.


(Silêncio.)


Você tampa meus olhos e me pede uma canção. E eu lá, sentada na calçada, procurando raciocinar d'onde já não mais conseguia. Perto de você o raciocínio se perdia, e a única coisa na qual jamais me desvencilharia seria de mim mesma. Comigo te sinto. 
Bicicletas velhas passam e fazem ruídos; carros com faróis altos passam por nós como trocentos exércitos nos observando. Me observando e, claro, se preparando para me atacar caso um segundo fosse jogado fora,  pois cada segundo contigo parecia raro. Era como se fosse o último e o primeiro: sempre intenso, sempre mágico. E não importava o que fizéssemos, o importante era fazê-lo contigo.
Sentar numa calçada esburacada, num puta frio, mas contigo ali. Sorrindo -pra mim-. E que sorriso, menina. E que sorriso. Sorriso esse que, se dele saísse um pedido, -qualquer pedido-, jamais me recusar a cumpri-lo ia.
Me pedes pra cantar. Eu canto e tu que me conquista. E penso "tá errado isso, tá errado. Ou tá certo demais, certo demais. Ou tá. Está."
Tampas meus olhos devido a minha medonha vergonha de fazê-lo. Sempre fui um mero desastre (E descobriria dias logo a frente que contigo todos os desastres do mundo valeriam a pena). 
Tua mão direita em meus olhos, e nós duas no meio da rua deserta, brincando de esconde-esconde, ou sei lá no que se encaixava. Brincando de fingir que vergonha não existia. Não naquele momento (sendo a vergonha, naquele momento, algo que explodia em mim como jamais havia de). Mas também tampei teus olhos, claro. Não podia deixar que me olhasse enquanto cantava. Era piegas demais pra mim. E o pior é que de coisas piegas eu sempre gostei. Enfim.
Eu te procuro até não poder mais... ... ... (pausa) ... Na internet, bares... Nos jornais... ... .. (grande pausa)... ... Trombar você é o que eu quero mais, menina. 
Dali pra frente, sempre me lembraria de beijos, blues e poesia. Sempre me lembraria de você.
E punha em minha cabeça, como se fosse um pedaço de mim a ser resgatado: tu vai ser minha. Sabe, aquilo lá de... possessão? Pois bem. Nunca quis tanto possuir algo. 
Um cheiro que acalma. Tão suave. Tão bom. Viciante. Seria de meu pertence.
Só pra poder dizer, a cada dia: trombar você continua sendo o que eu quero mais, menina.
Deixa eu te fazer uns dramas. Deixa eu te sorrir. Deixa eu.
Deixa. 
Deixa eu te fazer feliz.




Eduardda Carvalho

Um comentário:

Crispi. disse...

Lindo. Que saudade de ter isso :(